''Câmbio duplo não resiste''
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Crítico da conversibilidade desde que foi adotada, em 1991, o economista Eduardo Curia considera a pesificação imprescindível para que a Argentina promova a grande desdolarização da sua economia e, portanto, recupere sua capacidade de conduzir a política monetária. Mas não está de acordo com a forma como vem sendo conduzida pelo ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov. Curia acredita que o sistema de câmbio duplo é insustentável.
O sistema é uma palhaçada, cheio de idas e vindas, pouco sério. Para manter o câmbio duplo, o governo se vê obrigado a não liberar os depósitos do curralzinho porque tem medo da escalada do dólar no paralelo, explica Curia, que foi vice-ministro da Economia no final de 89, durante o primeiro mandato de Carlos Menem. Não prevejo uma saída muito feliz.
Para Curia, a equipe econômica agiu corretamente ao optar pela pesificação completa. Mas equivocou-se em duas decisões-chave. A primeira, não ter adotado logo de imediato o câmbio flutuante, associado a um plano para a eliminação gradual do curralzinho, de forma a injetar dinheiro na economia.
O câmbio duplo, para ele, exige permanente intervenção do Banco Central para que a brecha entre o oficial e o paralelo não estimule especulações e subfaturamento de exportações.
Conforme lembrou, essa experiência repete o fracasso de ex-presidente do Banco Central do Brasil, Francisco Lopes, ao criar a banda diagonal endógena, no início de 1999, como saída para a política de bandas cambiais mantida por seu antecessor, Gustavo Franco.


