A liberação do câmbio representa uma rara oportunidade para o setor agrícola recuperar as perdas amargadas durante os últimos quatro anos. Principalmente para quem captou recursos no crédito agrícola a 8,75% ao ano, atrelou os custos de produção em reais e agora viu o preço de seus produtos ‘‘explodir’’ em 17%, disse Fernando Muraro, analista da Cotriguaçu, de Cascavel. Com isso, apesar dos preços internacionais das commodities estarem em baixa, o setor agrícola volta a ter lucros.
Especificamente para a comercialização da safra 98/99, o período será de ganhos para os produtores de soja, milho e trigo. Apesar das boas perspectivas o mercado esteve totalmente parado ontem, mais um dia de turbulência no mercado financeiro. Segundo Muraro, o produtor e as cooperativas estão vendo com satisfação a mudança de câmbio, mas optaram pela cautela e recuaram nos mercados. Mesmo porque o período não comporta o fechamento de muitos negócios mesmo. No porto de Paranaguá havia oferta de soja por US$ 11,60 a saca para entrega em abril e compradores a US$ 11,50 a saca. Mas não foi fechado nenhum contrato.
Para o analista, dá tempo de cooperativas e produtores avaliarem bem a situação, assimilarem as mudanças para depois comercializar a safra com calma. ‘‘ O momento para a desvalorização do real não poderia ser mais propício para a Agricultura’’, observou. Já para a safra 99/2000, certamente o cenário muda totalmente porque o custo de produção será elevado com o aumento dos custos de importação de adubos e fertilizantes.
Mesmo com a queda das cotações no mercado internacional, o produtor de soja terá uma rentabilidade de aproximadamente 50%. O produtor investiu entre R$ 9,00 a R$ 9,50 a saca no custo de produção e agora poderá receber R$ 14,20 a saca, considerando a cotação de US$ 10 a saca. ‘‘ Isso é uma dádiva para o produtor que não tem dívidas em dólar’’, ressalvou. Muraro não acredita que o nível de desvalorização do real alcançado ontem será recuado.
Para os produtores de milho e trigo o cenário também é promissor. Apesar de os preços internacionais desses produtos estarem em queda porque o mercado está superabastecido, o fato é que as importações ficaram 17% mais caras, lembrou Muraro. ‘‘ Isto significa preços mais altos em reais no mercado interno’’, explicou.
No caso do milho, o produtor investiu entre R$ 4,00 e R$ 4,50 para produzir uma saca e terá condições de comercializar a produção no mínimo por R$ 7,00., o que também é remunerador, disse. Muraro explicou que os produtos agrícolas voltarão a ser comercializados na paridade internacional, o que torna a produção brasileira bastante competitiva.ContempladosProdutores de soja, milho e trigo terão bons momentos de preços, este ano, prevê analista da CotriguaçuVânia Casado

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