Câmbio deve definir rumos da agricultura
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
Fatima Cardoso e Gustavo Porto<br>Reportagem Local 
Ribeirão Preto A evolução do câmbio nos próximos meses será determinante para o cenário da agricultura na safra atual. É o que pensam os principais especialistas no setor agrícola do País, que se reuniram esta semana em Ribeirão Preto (SP) em dois congressos, o da Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (Sober) e a conferência internacional do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (Pensa/USP).
As opiniões divergem sobre como será o tamanho da próxima safra e como a crise deste ano afetará o agronegócio do Brasil, mas, em relação ao câmbio, há consenso. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que participou da abertura dos debates, deu o tom das conversas sobre a tendência de curto prazo para o setor: ''Estamos com um problema dramático em relação à questão cambial, que prejudica os preços agrícolas mais do que qualquer outro fator.''
Para o presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Sawaya Jank, a grande volatilidade dos fundamentos macroeconômicos e a desvalorização do dólar são as maiores preocupações do agronegócio na safra 2005/2006, ''pois de certa forma o setor encontrou maneiras de contornar os juros diretos, como, por exemplo, no comércio da soja verde''.
O coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, Geraldo SantAna de Camargo Barros, também destaca a importância do câmbio para o setor. Segundo ele, como a grande maioria dos produtos brasileiros tem preços atrelados ao dólar, pois está inserida no mercado mundial, o câmbio é o fator que pode elevar ou derrubar as cotações.
O ex-ministro da Secretaria de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano da Silva, destacou que a crise atual da agricultura é resultado de ''uma fase descendente de preços de commodities que, entre 1999 a 2003, subiram muito. Foi um ciclo atípico pelo número de anos positivos''. Ele acredita em uma tendência de longo prazo de queda dos preços agrícolas, em virtude de ajustes nos preços do petróleo e de outras commodities, como o aço, e no fortalecimento do dólar. ''Os preços estão voltando aos níveis históricos. Isso não tem nada a ver com condições políticas internas. A crise na agricultura vem desde 2004'', disse .


