Câmbio despenca com captação externa
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terça-feira, 17 de dezembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo A entrada de dólares captados por bancos brasileiros no exterior, a venda de linhas externas pelo Banco Central (BC) e o efeito da escolha de Henrique Meirelles para presidir a instituição levaram a cotação da moeda norte-americana a despencar.
O dólar caiu 3,74% e fechou o dia cotado a R$ 3,59 para compra e a R$ 3,60 para venda, a maior queda desde os 4,26% de 11 de outubro. Na mínima do dia, a moeda foi vendida a R$ 3,74. Enquanto isso, o risco Brasil despencou 4,43% para 1.488 pontos o menor valor em seis meses.
O principal fator a contribuir com a queda do dólar ontem foi a entrada de recursos captados pelo Bradesco e pelo Itaú na semana passada. O Bradesco, segundo sua assessoria, vendeu US$ 175 milhões em eurobônus. O Itaú também teria captado quantia semelhante, segundo cálculos do mercado.
Além do dinheiro dos bancos, o BC vendeu ontem ao mercado US$ 200 milhões em linhas externas, elevando para quase US$ 1 bilhão a reserva de ''hedge'' (proteção cambial) vendida às instituições para a virada do ano.
Bolsa A queda do dólar e do risco Brasil e o desempenho positivo do mercado global refletiram na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que fechou com ganhos de 1,95% e um volume financeiro de R$ 1,2 bilhão, o maior em três meses, inflado pelo exercício dos contratos de opções (R$ 583,9 milhões).
O índice Bovespa que reúne as 56 ações mais negocidas finalizou ontem em 10.771 pontos, mas chegou a atingir máxima de 10.798 pontos, uma valorização de 2,21%.
Para o diretor da Corretora Planner, Luiz Antonio Vaz das Neves, dificilmente o Ibovespa conseguirá romper ainda esta semana o patamar de 11.000 pontos, abandonado no final de junho. Ele explica que a queda do dólar torna as ações brasileiras mais caras no exterior o que deve provocar o aumento de vendas de ADRs (recibos de empresas estrangeiras negociados em Wall Street) nos próximos dias.


