As operações financeiras com cartões de crédito devem crescer este ano menos do que o previsto por causa da reviravolta no mercado de câmbio. Estudo feito pela CSU Business Intelligence Center, administradora de meios de pagamento eletrônico de bancos, prevê crescimento para o setor de 8%, e não mais de 10% como foi estimado no início do ano.
As transações internacionais, que deveriam somar US$ 2,9 bilhões este ano, devem ser de US$ 2,3 bilhões, cerca de 21% menos do que o previsto. Em relação ao resultado de 1998, este valor deve representar uma queda de aproximadamente 15%. Segundo o superintendente de Marketing do Grupo CSU, José Antônio Camargo de Carvalho, o esperado é um deslocamento de compras do mercado externo para o interno.
Já as transações domésticas com cartões, devem passar dos US$ 17,8 bilhões do ano passado para US$ 19,7 bilhões este ano, um aumento de 10%. Mesmo num cenário previsto de crise, o setor espera crescer com um maior número de emissões de cartões por bancos e com o lançamento de produtos para a população de baixa renda. ‘‘Há uma multiplicidade de bandeiras que ainda não foi totalmente explorada pelos bancos, além do segmento de baixa renda,’’ afirma Carvalho.
Em janeiro as operações financeiras com cartões caíram 18% em relação a dezembro. A queda é considerada normal nesta época porque a comparação é com o mês do Natal, período de maiores vendas do ano.
Mas parte desta retração também pode ser atribuída à turbulência cambial que paralisou negócios, na análise de Carvalho. Para mostrar que a retração deste ano está mais acentuada, ele lembra que, na comparação de janeiro de 98 com dezembro de 97, a queda de transações foi menor, de 14%.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) mostram, em janeiro, uma queda de 8% em relação a dezembro, no volume financeiro de transações. Em relação ao número de operações efetuadas (65,8 milhões), a retração foi de 10%. Na comparação de 98 com 97, no mesmo período, a queda nas operações financeiras com cartões foi de 1,32%. Na avaliação da Abecs, o setor está sentindo o impacto da oscilação do dólar e registrando a retração no mercado de consumo.

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