Câmbio confunde comércio de importado
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Pedro Livoratti 
A desvalorização de mais de 20% da moeda brasileira frente ao dólar, na última semana, está provocando verdadeira confusão no comércio de importados. Na linha popular, as lojas de R$ 1,99, que surgiram no início do Plano Real incentivadas pelas facilidades de importação, têm reservado os últimos dias para acompanhar as notícias econômicas. Em Londrina os comerciantes aguardam a estabilização do dólar para procurar alternativas para os setor, mas a maioria admite que terá de repassar os custos da desvalorização do real. Dono de uma loja de R$ 1,99 há quase dois anos, Marcos Antônio Antunes Belmont pretende tirar férias de uma semana, a partir de amanhã. Serão férias forçadas. Neste intervalo, acredita ele, deverá ocorrer uma definição da cotação do dólar.
Agora será preciso criatividade, diz o comerciante, que vinha investindo na diversificação da loja já há algum tempo, colocando nas prateleiras produtos mais sofisticados com valores maiores que os de R$ 1,99. Entre estas mercadorias estão também produtos nacionais, que, pelo menos teoricamente não deveriam sofrer qualquer correção.
Outro comerciante de R$ 1,99, Vanderlei Fávaro, acredita que o reajuste dos produtos poderá chegar a 25%. Segundo ele, ontem os atacadistas de importados estavam fechados e prometiam retornar às atividades hoje, já com os preços reajustados. Segundo o comerciante, o repasse da desvalorização da moeda brasileira poderá afastar o consumidor, num primeiro momento.
Mas isto deverá ocorrer somente depois do carnaval, afirma. As lojas deverão reforçar os estoques para o período de volta às aulas e posteriormente de produtos carnavalescos. Sobre as mercadorias que dão o nome às lojas, Fávaro afirma que estas deverão sempre ser conservadas nas prateleiras. É um marketing muito forte. Outra proprietária de loja de artigos populares, Valéria Montezuma, disse ontem que está assustada com o avanço do valor do dólar nos últimos dias. No final de semana R$ 1,00 valia US$ 2 e os lojistas nem aceitavam a moeda brasileira, afirmou.


