Brasília - A economia brasileira já tem um nível bastante elevado de abertura e a baixa cotação do dólar compensa as alíquotas cobradas na importação de produtos. A avaliação é do ministro Guido Mantega (Fazenda), que acredita que a valorização do real frente ao dólar decorre de outros fatores, e não só do elevado saldo da balança comercial.
''Com esse câmbio significa que nós estamos barateando os produtos importados. Mais abertura do que isso é impossível'', disse. O ministro lembrou que nos últimos dois anos o real se valorizou frente ao dólar entre 25% e 30% e isso compensa em muitos casos as alíquotas do imposto de importação de ''10%, 12%''.
Um dos determinantes para o grau de abertura da economia de um país é o acesso aos produtos importados, que é maior quando as alíquotas de importação são menores. Para o ministro, o crescimento das importações é bom, assim como o saldo comercial, ''mas não precisa ser tão expressivo''.
Saldo comercial- Nos primeiros três meses do ano, o saldo da balança está positivo em US$ 8,698 bilhões, com exportações de US$ 33,919 bilhões e importações em US$ 25,221 bilhões, crescimentos de 15,4% e 25,3%, respectivamente. Em 2006, a balança comercial registrou recorde histórico de superávit comercial, US$ 46,077 bilhões.
A balança comercial está com um saldo elevado mesmo com a baixa cotação do dólar - pouco mais de R$ 2. Em tese, a valorização do real frente ao dólar faz as exportações brasileiras perderem competitividade, já que os produtos produzidos no Brasil ficam mais caros.
Mantega acredita que o crescimento da economia brasileira, o elevado nível das reservas internacionais - em quase US$ 110 bilhões - e a taxa de juros são outros fatores, além do superávit comercial, que contribuem para a apreciação do real frente ao dólar.
''O câmbio está valorizado por vários fatores. Um deles é o saldo comercial . O segundo é a solidez da economia. A taxa de juros também influencia porque você oferece rendimentos mais altos que os pagos em dólar.''

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