Curitiba - A queda na cotação do dólar pode repetir o movimento que aconteceu no início do Plano Real que resultou na falência de centenas de pequenas e médias empresas nacionais. Como naquela época, as pequenas e médias empresas estão perdendo competitividade com o dólar barato e muitos bancos já estão cortando o crédito para esses setores porque identificaram aumento de risco.
Mas se há riscos para alguns segmentos, outros estão se beneficiando do dólar barato. Empresas com dívidas em dólar e importadores de mercadorias certamente são as que mais ganham, avaliou o economista Luiz Afonso Cerqueira, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (Ibef).
Por outro lado, as empresas do setor têxtil, de máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos e veículos estão com dificuldades para repassar custos, diante da possibilidade da concorrência com os similares importados. Cerqueira ressaltou que não está havendo importações, mas o efeito psicológico sobre esses setores é muito forte. ''As empresas sabem que se o preço de seus produtos subir muito no mercado interno, elas perdem terreno para os importados'', ressaltou.
Para o economista, o governo está atingindo seu objetivo com esse tipo de controle, que é o de manter a inflação baixa. Mas lembrou que a política é arriscada porque uma ''quebradeira'' de empresas não interessa a ninguém. Segundo Cerqueira, a indústria e o comércio são fortemente penalizados à medida que carregam o peso do aumento da taxa de juros e da elevada carga tributária.''Os produtos importados não carregam esses custos, o que os torna mais competitivos'', explicou.
Cerqueira acredita que os reflexos negativos da política do câmbio baixo vão aparecer no segundo semestre, quando o volume de exportações começar a reduzir. Isso ainda não aconteceu porque as empresas estão cumprindo contratos firmados anteriormente. Ele lembrou que o setor calçadista e de madeira já estão perdendo mercado que conquistaram no exterior por causa da defasagem dos preços.
O economista disse que a tendência ainda é de queda do dólar e não será surpresa se a cotação cair a cerca de R$ 2,20 a R$ 2,00. Ele apontou o aumento da oferta de dólares como fator de pressão para a queda da cotação da moeda estrangeira. A previsão de saldo elevado de dólares é resultante de exportações já efetivadas, mas o dinheiro ainda vai entrar na economia. Esse quadro aliado às taxas de juros elevadas, que atraem as aplicações internacionais em títulos públicos e na bolsa de valores, favorecem o aumento de dólares na economia.

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