Câmara vai investigar calote da Fazendas Reunidas Boi Gordo
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Agência Estado 
Brasília - A Câmara dos Deputados vai investigar o escândalo da Fazendas Reunidas Boi Gordo, que pediu concordata em outubro de 2001, dando um calote de R$ 1,4 bilhão em 32 mil investidores. A pedido do deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), a Comissão de Defesa do Consumidor realizou ontem uma audiência pública convidando os administradores e os credores da empresa para discutir a concordata, que está parada há sete meses na Procuradoria Geral da Justiça em São Paulo, aguardando o parecer de um procurador.
Fleury ainda acusou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de omissão no caso. ''A CVM deixou que o golpe se concretizasse para depois agir.'' Os administradores da Boi Gordo não compareceram à audiência. O advogado José Carlos Dias enviou uma carta por fax, explicando que aconselhou seu cliente, o presidente da empresa, Paulo Roberto de Andrade, a não comparecer. ''Se houvesse boa-fé, eles teriam atendido ao convite'', disse Fleury, que caracterizou o caso como estelionato. Os credores, por sua vez, compareceram em peso à audiência.
A Boi Gordo vendia Contratos de Investimento Coletivo (CIC) atrelados a cabeças de boi para engorda em suas fazendas, prometendo um retorno de 42% em 18 meses. Uma das campanhas de marketing, dirigida ao pequeno investidor, era protagonizada pelo ator Antônio Fagundes, que já interpretou o Rei do Gado no horário nobre da TV.
Na época da concordata, quando parou de honrar os contratos, a empresa informou ter 100 mil cabeças de gado e uma dívida de R$ 750 mil com os credores. Estes garantem ter quase o dobro, ou R$ 1,4 bilhão, em CICs da Boi Gordo em aberto. Segundo Fleury, mesmo que a dívida fosse de R$ 750 milhões e a empresa tivesse aplicado 50% do valor em cabeças de gado (como manda a legislação que rege esse tipo de contrato), ela teria de ter 1,1 milhão de cabeças ao pedir concordata, 1 milhão a mais do que declarou.


