Câmara vai discutir revogação do plebiscito
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Os vereadores de Londrina, que retornam hoje do recesso, deverão colocar em discussão a sugestão do prefeito Nedson Micheleti sobre a revogação do plebiscito realizado em 2001 que impede a venda da Sercomtel Celular. O presidente da Câmara Orlando Soares Bonilha (PL) disse que a Casa tem responsabilidade nesse processo. ''A Câmara não só tem responsabilidade como pode ser responsabilizada por ter deixado esta decisão nas mãos de leigos. O assunto da venda é técnico, mas acabou sendo decidido por leigos'', declarou.
Na época em que o prefeito quis vender a Sercomtel Celular, Bonilha votou favorável à venda. ''Naquela época já visualizava que a Sercomtel não teria como competir com as grandes operadoras'', salientou o vereador, acrescentando que ''vai levar o assunto para discussão nas reuniões que fará com os vereadores por esses dias''. Segundo ele, caso a Câmara revogue o plebiscito, não significa que a operadora será vendida. ''Sem o plebiscito, há uma abertura para o município poder consultar o mercado''.
Mesmo que a Câmara revogue o plebiscito, numa hipótese de negociação há necessidade do prefeito encaminhar novo projeto à Câmara pedindo autorização para a venda. Nedson considera o plebiscito um ''entrave'' que impede eventuais oportunidades de mercado. Revogando a lei, diz ele, haverá condições de acompanhar o mercado. ''A revogação também não significa que a Sercomtel será vendida'', reafirma.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, se a empresa tem dificuldade para competir no mercado o melhor a se fazer é vender. ''Para não ser devorada pelo mercado, a Sercomtel tem dois caminhos: ou ela investe maciçamente ou ela vende suas ações para tornar-se competitiva no mercado'', afirma Rapcham, acrescentando que do ponto de vista empresarial, a venda hoje envolveria o grupo - o que valorizaria o negócio.
Na opinião do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), Junker Grassiotto, a telefonia fixa é mais fácil de manter o cliente, mas o cliente da celular é volátil. ''Ele troca de operadora por um modelo melhor, por mal atendimento enfim. É um cliente difícil e, tem aí a concorrência. Não vejo como a Sercomtel pode enfrentar essas multinacionais monstruosas'', afirma.
Em contrapartida, a concorrência é positiva, diz Grassioto, mas do ponto de vista da Sercomtel, é predatória. ''Fico receoso em dizer, mas o tempo de vender a Sercomtel Celular já foi. Qual a perspectiva hoje de reverter esses 43% do mercado em 45%. Porém, a perspectiva para que essa fatia caia para 40% é mais lógica em razão do poder de fogo que as concorrentes têm'', argumenta o empresário completando: ''Elegemos o prefeito, independente de quem quer que seja, para agir com presteza na hora que precisar. Nesse contexto, ele está de mãos atadas e não pode nem sequer discutir o assunto por causa do plebiscito. Penso que o município, funcionários da Sercomtel e a Copel (sócia com 45% das ações) deveriam receber da Câmara essa possibilidade para poder agir mais rapidamente''.


