São Paulo - A rejeição da Câmara dos Estados Unidos ontem ao pacote bilionário para ajudar o sistema financeiro dragou as Bolsas de Valores para o precipício. Após uma semana de intensa negociação, o projeto combinado entre democratas e republicanos, foi derrotado por 228 votos contra e 205 a favor, levando o índice Dow Jones a fechar em queda de 6,98%, na maior queda em pontos de todos os tempos. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que bateu a mínima de -13,82%, fechou em queda de 9,36%, na maior queda porcentual desde 14 de janeiro de 1999, quando havia despencado 9,97%. O dólar disparou 6,15%.
  A Bovespa chegou a acionar o ‘‘circuit breaker’’ ao cair mais de 10%, interrompendo suas negociações por 30 minutos. A última vez em que o sistema fora acionado foi em 14 de janeiro de 1999. E não há quem preveja quão fundo é o precipício.
  O Ibovespa perdeu 4.754,93 pontos durante o pregão, para fechar em 46.028,06 pontos. No mês, acumula perdas de 17,33% e, no ano, de 27,95%. O giro financeiro somou R$ 5,766 bilhões, considerado fraco perto do que se viu na sessão, uma vez que muitos investidores ainda estão na defensiva. As informações são preliminares.
  Em Wall Street, os índices fecharam na mínima pontuação do dia. O Dow Jones perdeu 6,98%, aos 10.365,45 pontos, na maior perda de pontos de todos os tempos; o S&P recuou 8,79%, para 1.106,42 pontos, na maior queda em um dia desde 26 de outubro de 1987; e o Nasdaq tombou 9,14%, para 1.983,73 pontos. As informações são preliminares.
  O dólar disparou frente ao real após a rejeição do pacote pela Câmara. No balcão, a cotação encerrou com elevação de 6,15%, a R$ 1,9670, a maior desde 5 de setembro de 2007. Na máxima, chegou a R$ 1,9750. Na roda da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o pronto subiu 6,16%, a R$ 1,966, após oscilar de R$ 1,889 a R$ 1,975.
  No mercado futuro, os sete vencimentos de contratos indexados ao dólar registravam elevação, contabilizando US$ 25,15 bilhões às 16h20. Entre os mais negociados, outubro/08 projetava R$ 1,965, com elevação de 5,98%; e novembro/08 indicava R$ 1,978, em alta de 6,02%.
  Pior sem ele - O pacote de ajuda bilionária ao sistema financeiro encontrou resistências no Congresso ao longo da última semana, o que levou os parlamentares a passarem o final de semana para buscar o consenso. Ontem, ele veio, embora as críticas continuassem pipocando. Mas, apesar disso, ninguém previa que a Câmara rechaçaria o acordo visto que, ruim com ele, pior sem ele.
  Os parlamentares ignoraram o apelo do presidente George W. Bush, do secretário do Tesouro, Henry Paulson, e do presidente do Fed, Ben Bernanke, e imputaram ao governo uma derrota por 228 votos contra e 205 a favor.
  Na Europa, o banco Bradford & Bingley será estatizado pelo Reino Unido, o belgo-holandês Fortis precisou receber socorro dos governos da Bélgica, de Luxemburgo e da Holanda e o alemão Hypo Real foi resgatado por um consórcio de bancos.
  Nos EUA, o Citigroup vai adquirir operações bancárias do Wachovia e o Morgan Stanley venderá uma fatia de 21% ao Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG), maior banco japonês em capitalização de mercado.

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