O projeto que propõe a doação de uma área de sete alqueires para a empresa Beta Sul Indústria e Comércio Ltda, de São Paulo, foi aprovado ontem em segunda votação, com apenas um voto contra, mas ainda não convenceu os vereadores. O fato da Beta Sul ter sido criada há menos de um mês (no dia 10 de outubro), ter um capital de R$ 1.000,00 e não deixar claro, no seu projeto, o ramo de atividade está deixando os parlamentares inseguros.
A sessão de ontem chegou a ser suspensa por mais de meia hora para que o advogado da empresa esclarecesse as dúvidas dos vereadores sobre as intenções da Beta Sul. Acompanhado por diretores da Codel, o advogado se recusou a se idenficar. Deixou claro para os vereadores que a Beta Sul é apenas ‘‘testa de ferro’’ de uma grande empresa de São Paulo que, concluída a obra, incorporaria a Beta Sul. O procedimento, justificou, é para garantir o sigilo necessário para que a empresa transfira as suas atividade sem maiores complicadores.
O advogado esclareceu que a empresa paulista está interessada em vir para Londrina para ‘‘fugir’’ da intransigência do sindicato dos metalúgicos de São Paulo. Os benefícios garantidos pelo Estado como a isenção de ICMS por 10 anos também seduziram a empresa, que promete gerar 800 empregos quando estiver estabelecida no município. O incentivo do município seria a doação de terreno de sete alqueires na Gleba Primavera, na Cidade Industrial, avaliado em R$ 389.800,00.
A Beta Sul assumiu ainda o compromisso de contratar uma construtora da cidade para fazer a fábrica. O projeto inicial prevê 32 mil metros quadrados de construção - trabalho que ocuparia cerca de 600 trabalhadores na obra que teria início ainda em novembro. Se aprovada a doação, a fábrica deverá começar a funcionar no início do segundo semestre de 98.
Mesmo os vereadores favoráveis a doação do terreno para a empresa concordaram que a situação é ‘‘nebulosa’’. ‘‘Vou votar a favor porque é a possibilidade de gerar mais 800 empregos. Mas admito que votamos no escuro, sem saber de fato para quem estamos fazendo a doação’’, enfatizou o vereador Célio Guergoletto (PMDB). Muitos vereadores só votaram a favor ontem porque podem derrubar o projeto hoje em terceira votação se o presidente da Codel, Alex Canziani, não convencê-los de que a empresa é realmente idônea.
‘‘Não vou arriscar perder esta empresa. Os vereadores terão de confiar em mim e no prefeito Antônio Belinati. Sabemos o que estamos fazendo e avalizamos a idoneidade da empresa’’, afirmou Canziani. Adiantou apenas que a Codel vem negociando há vários meses e que a empresa paulista já investiu muito dinheiro para viabilizar sua transferência para o município. Os vereadores definem hoje em sessão extraordinária se dão ou não o voto de confiança à Codel.

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