Câmara quer retomar terreno da Pepsi
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Arquivo FolhaGalatti: Se for uma empresa séria, idônea, devolve a área Vereadores de Londrina já se posicionaram diante das notícias de que a Brahma, depois de comprar a Pepsi-Cola, estaria fechando fábricas no País, começando por Florianópolis, Curitiba e Londrina, onde a Pepsi mantém uma distribuidora em terreno doado pela última administração para a construção de uma fábrica. Em alto e bom som, o vereador Célio Guergoletto declarou, ontem: Vamos revogar a lei de doação; a área vale R$ 1,2 milhão e o prazo para construção já foi prorrogado três vezes!.
A relação Londrina-Pepsi é uma velha polêmica dentro e fora da Câmara de Vereadores. Tudo começou em maio de 1995, quando a Buenos Aires Embotelladora S.A. (Baesa), engarrafadora da Pepsi-Cola, confirmou o megainvestimento que o então prefeito Luiz Eduardo Cheida vinha anunciando. No início de junho começaria a construção da fábrica, em terreno de 120 mil metros quadrados (entre Londrina e Ibiporã) que a prefeitura comprou com empréstimos bancários para oferecer ao grupo e viabilizar o empreendimento.
A Baesa prometeu investir US$ 20 milhões na obra e gerar 150 empregos de imediato. Praticamente um mês depois do anúncio oficial, a cidade foi sacudida por denúncias de superfaturamento (com abertura de inquérito) na compra do terreno. A Baesa suspendeu a obra. Não demorou muito, em setembro, o inquérito foi arquivado.
O promotor de defesa do patrimônio público, Bruno Galatti, declarou na época que não havia razões jurídicas para questionar o negócio, desde que, instalada a fábrica, o município seja ressarcido pela geração de empregos e outros benefícios. Ontem, o mesmo promotor disse que a Pepsi, ou a Brahma, tem que devolver o terreno ao município. Se for uma empresa séria, idônea, devolve, afirmou, adiantando, porém, que a retomada pode ser feita de duas formas: amigável ou judicial.
A Baesa não cumpriu o acordo que fez com o município. No início de 96 selecionava pessoal para trabalhar na distribuidora (32 vagas) e ainda prometia levantar a fábrica. Já quase no final daquele ano dizia publicamente que não tinha mais previsão de obras. Só em março de 97 é que os vereadores começaram um movimento para revogar a doação, ainda assim, concederam novos prazos para a indústria. O último vence em dezembro de 97.
Por medida de cautela, declarou ontem o promotor Bruno Galatti, o município precisa notificar a Pepsi ou seus sucessores; se a prefeitura sofreu prejuízos, deve entrar com uma ação. O vice-prefeito e presidente da Codel, Alex Canziani, não chega a tanto. Acha que é hora de reunir-se com a diretoria da Brahma e dar uma nova chance, ou seja, ver se há interesse ou não da empresa, nova proprietária da Pepsi-Cola, em construir a fábrica em Londrina. Tempos atrás, a Pepsi admitiu desistir de Londrina.
Procurado pela Folha, o gerente local da Brahma, Eurípedes de Souza, havia se limitado a orientar a secretária a fornecer um telefone para contatos com a matriz da empresa em São Paulo. Só eles podem dar informações, disse. No início da noite de ontem, Alex Canziani fez contato por telefone com o gerente de planejamento da Brahma em São Paulo, João Castro Neves, para saber quais os planos que o grupo tem para o projeto da fábrica em Londrina. O gerente disse que o grupo vai avaliar a viabilidade do empreendimento até o final deste mês, quando então dará à Prefeitura uma posição definitiva sobre o interesse ou não pela instalação da unidade.


