O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem um segmento da Justiça apenas para atender as divergências entre patrões e empregados. É a conhecida Justiça do Trabalho. Como a demanda é muito grande e as leis trabalhistas no Brasil são muito complexas, a maioria das ações demoram anos para serem julgadas em última instância. Esta demora traz prejuízos tanto para as empresas como para os trabalhadores.
É por isto que o papel das Câmaras de Conciliação está crescendo cada vez mais. As câmaras de conciliação foram criadas para ajudar a solucionar os conflitos trabalhistas. A que funciona no Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR), foi criada em 2000 e atende por mês, em média, 80 casos. Destes, informa o advogado Caio Marcelo Rebouças de Biasi, coordenador da Câmara de Conciliação que funciona no Sescap-Ldr, o índice de acordo chega a 60%.
Segundo o diretor financeiro do sindicato, Osmar Tavares de Jesus, a criação da Câmara atendeu uma demanda crescente das empresas filiadas e a principal vantagem é resolver as causas trabalhistas de forma rápida e segura. ''Outro benefício é que desafoga a Justiça do Trabalho'', comenta Osmar Tavares. As ações só seguem para a Justiça do Trabalho caso as partes não cheguem a um acordo.
Para o empregador, o benefício é a possibilidade de reduzir custos e de obter a quitação válida e eficaz que não permite que o empregado ingresse na Justiça do Trabalho para reivindicar os direitos compostos na Comissão. Para o empregado apresenta a oportunidade de solução rápida do conflito e o recebimento do crédito trabalhista em curto espaço de tempo, além da obtenção de título executivo extrajudicial do seu crédito, que poderá ser executado perante a Justiça do Trabalho, inclusive com a incidência de cláusula penal, quando acordada pelas partes, em caso de descumprimento do acordo celebrado. Em no máximo 15 dias está tudo resolvido.
Na quarta-feira passada dirigentes do Sescap-Ldr reuniram-se com representantes de diversos sindicatos patronais e de trabalhadores em Santo Antonio da Platina para discutir a implantação de uma Câmara de Conciliação na cidade. Ela vai funcionar junto com a delegacia do Sescap-Ldr em Santo Antonio e atender trabalhadores e empresas de toda aquela região.
Paulo José Buso Junior, presidente do Sindicato Rural de Santo Antonio, disse que a idéia é muito boa e desta forma os conflitos trabalhistas poderão ser resolvidos na cidade. Hoje, segundo ele, as demandas são levadas para os municípios vizinhos.
A presidente da Associação Comercial e Empresarial de Santo Antonio, Glair Villas Boas também gostou da iniciativa e acredita que ficará bem mais fácil para as empresas da cidade resolver os eventuais problemas trabalhistas que possam ocorrer. ''Será bom para todo mundo. Ficará bem mais fácil as negociações'', comentou Glair.
O presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro diz que o próximo passo é instalar uma Câmara de Conciliação em Cornélio Procópio. ''As negociações estão bem adiantadas com as entidades locais e logo poderemos definir onde e como ela irá funcionar.''

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