Arquivo FolhaGuergoletto: Câmara deve respeitar prazo estabelecido na leiO presidente da Comissão de Justiça da Câmara, Célio Guergoletto (PMDB), disse ontem que a revogação da doação do terreno da Pepsi-Cola é ilegal. ‘‘A empresa tem prazo para construir a fábrica até 31 de dezembro’’, afirma. Ele emitiu parecer prévio provisório para o pedido de revogação de doação e de prorrogação do prazo, protocolado anteontem, na Câmara, pelo vereador Jaci Aguiar (PDT).
No parecer, Guergoletto sugere que diretores da Pepsi venham a Londrina apresentar os planos da empresa em relação à construção da fábrica na cidade. ‘‘Se preferirem, os diretores podem enviar correspondência comunicando se pretendem ou não retomar as obras da fábrica’’, disse. O prazo para a manifestação da empresa é de 12 dias. Para ele, a única forma do poder público reaver o terreno antes do prazo é se Pepsi desistir oficialmente da construção da indústria.
Guergoletto diz que, caso os diretores afirmem que ainda estão analisando o projeto, seu parecer na Comissão de Justiça será contra a revogação da doação. ‘‘É ilegal revogar a lei antes do vencimento do prazo’’. A lei que autoriza a doação do terreno à Pepsi é de 9 de junho de 95. Em julho do ano passado, a Câmara prorrogou o prazo para a conclusão das obras para até 31 de dezembro deste ano.
O pedido de revogação da doação do terreno foi motivado por reportagem publicada pela Folha de Londrina, neste caderno, no último sábado, e foi feito pelo vereador Jaci Aguiar. Ele disse ter achado a declaração do vice-presidente da Buenos Aires Engarrafadora S.A. (Baesa), Vasco Luce - de que a empresa não tem planos para a retomada das obras em Londrina - uma afronta para a cidade.
Um funcionário da Codel ligou ontem para a secretária de Vasco Luce, para tentar marcar uma reunião entre ele, o presidente da Codel, vice-prefeito Alex Canziani, e o prefeito Antonio Belinati, em Londrina. Canziani diz que a secretária ficou de agendar a reunião para quinta ou sexta-feira da próxima semana. Ele acredita que poderá chegar ‘‘a um denominador comum’’ junto com a empresa. ‘‘Esta situação da Pepsi é extremamente desgastante. Nossa intenção é saber quais são as perspectivas para a retomada das obras’’, disse.
Apesar do prazo vencer no final do ano, Canziani acha que pode negociar a retomada do terreno caso a Pepsi não tenha mais planos para construir a fábrica. ‘‘A Pepsi pode até ficar com a área onde funciona o depósito’’, disse. Segundo ele, muitas empresas estão interessadas no terreno. ‘‘A falta de oferta de solos industriais em Londrina é um dos principais problemas da Codel. Poderíamos colocar cinco ou seis empresas naquele local, dependendo do tamanho de cada uma’’.
O terreno da Pepsi tem cerca de 120 mil metros quadrados e fica na BR-369, saída para Ibiporã. Doado pela Codel, custou cerca de US$ 1,2 milhão aos cofres públicos. As obras da Pepsi foram suspensas em agosto de 95 por causa de denúncia de superfaturamento na compra do terreno. Apesar do inquérito sobre a denúncia ter sido arquivado um mês depois, a construção da fábrica não foi mais retomada. Há um ano, a Pepsi construiu um depósito no local.

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