Câmara aprova nota fiscal com valores de impostos
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
A Câmara Federal aprovou na noite de anteontem projeto que exige que o consumidor seja informado, na nota fiscal, sobre os impostos que paga em cada produto. A expectativa em entidades empresariais e tributárias é que a medida facilite a informação do consumidor sobre as taxas que paga, o que deve fazer com que cobre dos governantes uma melhor aplicação dos recursos.
O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, afirma que a cobrança de impostos sobre o consumo, como ocorre no Brasil, prejudica os mais pobres. ''Eles pagam o mesmo que os mais ricos ao comprar um produto, ou seja, o peso é maior para quem tem renda menor.''
Olenike acredita que a lei, além de aumentar a percepção do consumidor sobre os tributos e a cobrança por investimentos em serviços públicos, deve recolocar a reforma tributária na pauta de discussões do governo. Ele diz que o ideal é que a cobrança de impostos seja focada em lucros e patrimônio, o que tornaria o sistema mais justo. ''A reforma pode causar um rebuliço devido à conscientização.''
Presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan acredita que o projeto deveria ser ampliado, com a exposição em gôndolas, consultórios e postos de combustíveis dos valores dos impostos sobre produtos e serviços. ''Seria válido para o consumidor enxergar o quanto paga e cobrar seus governantes.''
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira, diz que o brasileiro tem noção apenas do quanto paga em tributos diretos, como o Imposto de Renda, mas pouco sabe sobre os indiretos, como os embutidos no consumo. ''Se a lei for colocada em prática, vai beneficiar consumidor e empresário, que muitas vezes é tratado como vilão pelos preços que cobra.''
O projeto depende de sanção da presidente Dilma Rousseff. Depois de promulgada a lei, o prazo para que passe a ser cumprida é de seis meses, segundo a proposta.
O consumidor passaria a contar com a discriminação em nota ou em painel fixado em lugar visível no estabelecimento comercial de nove taxas, que são Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto de Renda (IR), Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL), PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
Dúvidas
Por iniciativa da Associação Comercial de São Paulo (Acsp), foram reunidas 1,5 milhão de assinaturas para que a proposta se transformasse em projeto de ação popular, encaminhado ao Senado em 2006. Um ano depois, o texto foi aprovado e encaminhado à Câmara Federal, onde ficou engavetado até anteontem, por resistência do governo federal, segundo o presidente do IBPT.
Olenike lembra que a Receita Federal chegou a informar que a medida não daria certo por questões técnicas. Ele diz que ainda não conhece a regulamentação complementar, que indica o modo para execução da lei. Porém, não considera difícil que seja implantado, seja por meio de um software para o comércio ou mesmo pela informação do governo.
Para o presidente da Acil, a operacionalização talvez dê um pouco de trabalho, mas será bom para o consumidor e para o empresário em médio prazo. ''Temos de avaliar com nosso departamento jurídico como vai funcionar, porque cada região tem seu imposto'', afirma Balan.



