O primeiro dia do inverno começou com geadas fracas a moderadas em todo o Estado, segundo o Simepar. A única região a ficar livre do fenômeno foi o litoral paranaense. Ontem, as áreas atingidas mais fortemente foram o centro, centro-sul e sul do Estado, com temperaturas de 1 grau negativo em Guarapuava, 0,8 grau negativo em Telêmaco Borba e Palmas, 0 grau em Ponta Grossa e 0,3 grau em Palotina. Londrina registrou a mínima de 1,6 graus em abrigo (veja matéria principal).
O agricultor José Alves Siqueira, o ‘‘Zé Leite’’, 58 anos, foi surpreendido ontem pela fina camada de gelo que cobriu sua grande plantação de hortaliças e os cerca de 90 mil pés de café em seu sítio, no Distrito de São Luiz, em Londrina. Na noite mais longa do ano, Zé Leite disse que dormiu sossegado e não se preocupou porque não viu ‘‘sinais de geada’’ na véspera. ‘‘Eu sempre vejo os jornais e fico de olho no termômetro. Se a tarde estiver limpa, com vento, e a temperatura abaixo de seis graus é certeza de geada. Mas ontem (anteontem) estava até quente’’, explicou. Ele disse que ainda não tinha consultado o serviço Disque-Geada, serviço disponibilizado pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Simepar, pelo número 391-4500.
Segundo ele, porém, a geada de ontem foi fraca e não chegou a causar prejuízo. ‘‘No ano passado, com aquela braba que teve, entre trigo, milho, horta e café, perdi mais de R$ 150 mil’’, afirmou. Apesar da torcida do mercado internacional para novas geadas – o que elevaria o preço do café no mercado externo –, Zé Leite analisa que, se houver repetição do fenômeno como o do ano passado, vai acabar com a produção paranaense de uma vez por todas. ‘‘O que foi perdido no ano passado, está formando agora de novo. Se gear forte nos próximos três invernos acaba com o café para nunca mais ser produzido. A gente conta de 8 a 10 anos para conseguir alguma coisa’’, disse.
Para os próximos dias, Zé Leite disse que vai providenciar a cobertura com terra de todas as 25 mil novas mudas de café que tem no viveiro. ‘‘Não vou desistir. Vou plantar mais 60 mil novas mudas. E rezar para que não venha a geada com vento, que é a perigosa’’, afirmou.

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