Camaçari, BA - O ritmo acelerado de concentração de indústrias em Camaçari, na Bahia, desencadeado com a vinda da Ford para o município, que trouxe de carona mais 32 empresas de autopeças, já começa a tirar o sono de alguns empresários. Há quem considere a possibilidade de que, a médio prazo, a região venha a se transformar num ABC paulista em termos de reivindicações trabalhistas.
A Mondial Eletrodomésticos, por exemplo, que se instalou no pólo plástico em agosto de 2002, acaba de enfrentar a terceira greve geral. A paralisação durou 21 dias em novembro. Aumento salarial, vale-transporte e refeição foram itens da pauta de reivindicações da greve, que foi para a Justiça e acabou sendo considerada abusiva, diz o gerente-geral da unidade de Camaçari, Jacques Ivo Krause.
Ele lembra que quando a empresa chegou a Camaçari, o sindicato local não era atuante. ''Por conta da aglomeração de indústrias e da importação de técnicas de negociação do sindicatos paulistas, a região caminha para um ABC dentro de 4 a 5 anos'', prevê Krause.
O gerente de Relações do Trabalho da Ford, Carlos Santos, discorda: ''Camaçari não vai ser um ABC. A realidade da indústria brasileira agora é diferente. A comparação não procede.'' Em agosto, a empresa passou pela segunda greve geral, cuja reivindicação foi de redução de jornada semanal de 44 para 40 horas. A empresa acabou fechando uma jornada de 42 horas, sem redução de salário. No ABC, a carga semanal é de 40 horas.
''O ABC paulista não tinha uma montadora só, como é hoje em Camaçari'', observa o presidente da Federação dos Metalúrgicos da Bahia e do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Aurino Pedreira do Nascimento Filho.

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