Nas Lojas Cem, rede de varejo de eletroeletrônicos e móveis, as perdas com o calote de consumidores praticamente dobraram nos últimos 18 meses. A taxa passou de 3% para 5% da carteira de vendas a prazo. ''A consequência disso é que paramos de reduzir os juros ao consumidor'', diz Valdemir Colleone, supervisor-geral da Lojas Cem. Desde outubro, a rede mantém taxa de 4,8% ao mês nas vendas parceladas em 20 vezes. ''Se a inadimplência tivesse se mantido em 3%, essa taxa de juros poderia ser hoje de 2,9 a 3% ao mês''.
A situação é complicada porque o custo dos financiamentos continua elevado, apesar da queda da taxa básica, diz o economista Fábio Pina, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Segundo ele, já que a renda dos consumidores não sobe na mesma proporção do endividamento, a tendência é de estrangulamento ainda maior da capacidade de compra dos brasileiros.
Nessas circunstância, o varejo tem duas alternativas, afirma Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa. ''A mais simplista é aumentar os juros como atitude defensiva, o que pode provocar mais inadimplência. Outra é melhorar a qualidade do crédito, principalmente do pequeno varejo, que hoje oferece crédito fácil para poder concorrer com os grandes''.(M.R.)

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