Calote russo derruba bolsas no mundo
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Agência Estado 
As Bolsas de Valores movimentaram mais um pregão de forte tensão e instabilidade, que foi encerrado com baixa de 3,94% em São Paulo, seguindo novamente as quedas na quase totalidade dos mercados mundiais. O fator de turbulência foi, mais uma vez, a crise econômica russa, principalmente os termos definidos pelo governo da Rússia para a renegociação da dívida em moratória. O sentimento de quem tem títulos da dívida russa é que, na troca por novos papéis, está sendo alvo de um calote, porque a remuneração embutida nos títulos é inferior aos juros no mercado.
A sensação de perda com os papéis russos provocou forte desvalorização do rublo e da Bolsa, além de ampliar a desconfiança em relação aos títulos emitidos pelos demais países emergentes. O rublo chegou a desvalorizar-se 5,1%, um nível que levou o governo russo a paralisar os negócios com a moeda para conter a sangria das reservas russas. Agravou as expectativas ainda as especulações sobre possível queda do presidente Boris Yeltsin.
O C-Bonds, principal título da dívida externa brasileira, apurou desvalorização de aproximadamente 9%, ao ser cotado por 53,250 centavos por dólar. Quanto mais baixa a cotação, por causa da pressão de venda, maior é a rentabilidade desses papéis, que, mesmo assim, não atraíram compradores, por causa da ampla oscilação dos preços desses títulos. A avaliação é de que boa parte do dinheiro de venda das ações nas Bolsas mundiais tem procurado a rentabilidade ampliada dos C-Bonds ou, ainda, a segurança dos T-Bonds, os títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano.
As baixas foram generalizadas em todas as Bolsas internacionais, da Ásia aos Estados Unidos, passando pela Europa e América Latina. Entre as principais, a Bolsa de Tóquio recuou 1,37%; a da Rússia, 11,22%; a de Frankfurt, 2,61%; a de Londres, 1,93%; a de Paris, 2,88%. A Bolsa de Nova York também permaneceu em baixa, ao fechar com desvalorização de 0,92% ou -79 pontos. Entre as Bolsas latinas, a da Cidade do México caiu 3,39%; a de Buenos Aires, 2,69%; e a de Caracas, 4,6%. Mas as Bolsas não recuaram sozinhas. Também o peso mexicano e o bolívar venezuelana fecharam em baixa.


