Calote recua, mas vendas estão menores
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Vânia Casado 
Caiu o nível de inadimplência no comércio de Curitiba e região metropolitana no mês de junho, em comparação com o mês anterior. A constatação é da Associação Comercial do Paraná, que verificou uma redução de 16,07% no registro dos devedores. O número passaram de 51.666 em maio, para 43.361 em junho. Em compensação, caiu também o movimento no comércio, o que preocupa os empresários do setor.
O diretor da ACP, Luiz Nardelli, acredita que a inadimplência já se esgotou após quatro anos de estabilização econômica. Para ele, as pessoas já caíram na realidade e estão procurando equilibrar suas contas. A queda nas vendas do comércio em junho foi de 7,27%, conforme as consultas feitas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Para Nardelli, nem a comemoração do Dia dos Namorados foi suficiente para alavancar as vendas. Somente o segmento de jóias, semi-jóias e relógios teve um desempenho positivo. As consultas no SCPC das lojas do setor foram 0,26% maiores em junho, em relação ao mês de maio, e 0,96% nas consultas do video-cheque.
Apesar da queda, o número de de pessoas inadimplentes registradas no SCPC permanece alto em Curitiba e região metropolina, com um total de 470.308 deverdores, o que corresponde a 42,10% da população economicamente ativa. Para Nardelli, esse foi o primeiro mês com sinais mais fortes de que a inadimplência vai recuar daqui para frente. Ele atribui esse movimento a uma conscientização maior por parte das pessoas e também ao medo de perder o emprego. Desta vez, os consumidores colocaram o pé no freio mesmo, e quem sabe essa é a realidade brasileira, observa.
Nardelli acredita que o desempenho no comércio será melhor no segundo semestre, com três datas importantes como Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal. Mas a principal alavanca das vendas no comércio daqui por diante, assinala Nardelli, serão as vendas através de promoções, como ocorre nos países onde predomina a estabilização da economia.
Para o diretor da ACP, a queda nas vendas do comércio varejista representa uma acomodação do setor. Ele acredita que será cada vez mais difícil o pequeno lojista sobreviver à concorrência com o grande varejista.Para a pequena empresa que não tem capital de giro, ela deverá operar com redução nos custos, orienta.


