O secretário-executivo do Ministério da Previdência e Assistência Social, José Sechin, informou ontem que, de junho a dezembro de 1996, cerca de 95 mil empresas em todo o País deixaram de recolher ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) R$ 1,5 bilhão. Até o final do ano, com o emprego de 3.600 fiscais, a Previdência espera recuperar, com combate aos sonegadores, pelo menos R$ 450 milhões. O ministério da Previdência lançou oficialmente ontem no Rio a Operação Caça Eletrônica 2.
Os fiscais começaram a visitar as supostas empresas devedoras identificadas, que terão 15 dias para justificar a falta de contribuição para a Previdência, ou serão submetidas a uma devassa durante três meses. A base das informações é o pagamento feito pelas empresas ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). ‘‘Estas empresas estão listadas por valor de contribuição devida mas não recolhida ao INSS’’, explicou Cechin.
Em São Paulo, que responde por 46% da arrecadação da Previdência, foram cruzadas informações de 450 mil empresas e constatado que 41 mil (pouco mais de 10%) deixaram de recolher para o INSS R$ 800 milhões. Do total de empresas paulistas devedoras, apenas 375 - menos de 1% - deixaram de contribuir com a Previdência com R$ 360 milhões (45% da dívida total no estado). No período, o maior devedor do País também é de São Paulo. A Vasp deixou de contribuir com R$ 16 milhões. Desde quarta-feira os fiscais da Previdência estão atuando em São Paulo.
Durante o segundo semestre do ano passado foram pesquisadas, em todo o País, 1,665 milhão de empresas que contribuiram com o Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS), e pagaram no período R$ 72 bilhões em salários a 18 milhões de empregados. De acordo com Sechin, as empresas que mais devem à Previdência são as prestadoras de serviço, de aviação, de construção civil e transporte.
Sechin explicou que os dados foram cruzados eletronicamente com base na contribuição das empresas para o FGTS e o quanto elas repassaram para o INSS. ‘‘O que temos hoje é uma lista de suspeitos, que, por algum motivo, deixaram de recolher o que era devido à Previdência’’, explicou. Segundo o secretário-executivo da Previdência, durante a fiscalização serão analisados livros contábeis, folhas de pagamento, balanços e relatórios.

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