Calote impede crediário mais barato
Mesmo com a queda mais acentuada da Taxa Básica do Banco Central (TBC), promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, o consumidor não será beneficiado com redução dos juros nas linhas de crédito. A TBC caiu de 23,25% para 21,75% ao ano, mas o comércio e as instituições financeiras não vão aplicar esse corte nos encargos que cobram dos consumidores.
O vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, diz que o comércio cobra juros de até 200% ao ano. Segundo ele, independentemente da queda da TBC, já seria possível a redução das taxas para os financiamentos, mas o crescimento da inadimplência continua sendo apontado como razão dos altos juros cobrados pelo comércio e pelas financiadoras. ‘‘Com isso fica claro que o número de inadimplentes não é influenciado pela TBC, e sim pelos juros elevados que são cobrados do consumidor.’’
Para Oliveira, a queda dos juros só tende a ocorrer quando cair o número das vendas. ‘‘Exatamente como ocorreu nas vendas de veículos, foi só diminuir o número de negócios que logo os juros baixaram e, agora, o consumidor pode encontrar inúmeras ofertas no ramo com juros bem abaixo dos pedidos em meses anteriores.’’
O analista econômico Fábio Augusto Luiz Pina, do Banco Fenícia, diz que num primeiro momento a baixa da TBC não será repassada ao consumidor, e isso porque o governo reduziu a TBC mas as taxas nos negócios entre bancos continuam altas.
Até sexta-feira, a maioria dos bancos não tinha mexido nas taxas mensais cobradas. A média do cheque especial estava em 9,1%; no crédito pessoal, pelo período de 12 meses, em 5,9%; no cartão de crédito, 10,8%, para atraso, e 10,5%, para rotativo; e no financiamento de veículos, para 24 meses, em 3,5%.
A Fininvest explica que a princípio não fará nenhuma alteração nas suas taxas. O encargo no crédito pessoal continua variando entre 6,0% e 13,9% ao mês. O Bradesco, na sexta-feira, ainda estava avaliando os custos dos seus financiamentos e só divulgará suas taxas hoje. Analistas entendem que os juros chegaram ao limite de queda, com o escorregão do piso para 21,75% ao ano. Feito o serviço e sem espaço para novas podas mais ousadas, o Banco Central, segundo o mercado, passa a bola para a Receita Federal. Caberia ao Leão abrir mão de impostos que cobra sobre aplicações para que o juro permaneça em queda sem uma debandada do capital estrangeiro.

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