Calote deixa quase 40% sem crédito
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de março de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaBolso vazioNardelli, da ACP: inadimplência deve crescer mais em março, quando vencem contas feitas no Natal A inadimplência no comércio de Curitiba chegou a um dos maiores patamares registrados desde 1958, quando foi criado o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Levantamento divulgado ontem pela Associação Comercial do Paraná aponta que 39% da população economicamente ativa da capital está inscrita na lista dos inadimplentes. No período de um ano, o total de registros cresceu de 321,4 mil consumidores para 428,5 mil. Todos estão impossibilitados de comprar a prazo.
O percentual de compradores que deixam de pagar corretamente as prestações do crediário tem se mantido num patamar elevado desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994. Em fevereiro, houve uma queda de quase 11% na inadimplência em relação a janeiro. Mas a redução não foi suficiente para evitar o registro recorde de novas inscrições no SCPC. Em janeiro, os números já tinham superado as previsões dos comerciantes. Foram registrados 42,9 mil devedores.
A comparação do índice de inadimplência em fevereiro deste ano, com o mesmo mês em 1997, mostra um aumento de 45,2%. Nossa estimativa é que haja um crescimento da inadimplência neste mês de março, quando há o peso das compras a prazo feitas no Natal, disse o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Luis Valdir Nardelli. Ele apontou como causas do calote no comércio as taxas de juros elevadas, o aumento do desemprego e a falência de micro e pequenas empresas.
Com relação a vendas no comércio, houve um crescimento maior nos setores que vendem mercadorias mais baratas e com prazos curtos de pagamento. O serviço de consultas Videocheque ou Protecheque apresentou crescimento de 23,6% nas consultas dos comerciantes para saber se os clientes estão com o nome limpo. O aumento se deu entre fevereiro deste ano e fevereiro de 97. Em relação a janeiro, houve estabilidade nas vendas.
O SCPC, que serve como termômetro para compras a longo prazo e de maior valor, registrou estabilidade no volume de vendas entre janeiro e fevereiro e crescimento de 9,8% sobre fevereiro de 97.
Os setores do comércio que mais consultaram os serviços de proteção ao crédito foram o de factorings com aumento de 200%, o de livrarias (193%), artesanatos e presentes (110%) e calçados (99%). Os segmentos que tiveram maior queda nas vendas foram oficina mecânica (-24%), aparelhos de som (-23%) e artigos importados (-17%).


