Buenos Aires A declaração de suspensão do pagamento da dívida externa pela Argentina provocou reações díspares entre os que são a favor e os que são contra a drástica medida, temendo o isolamento financeiro do país.
Uma posição radical foi adotada pelo senador Eduardo Duhalde, um dos líderes do Partido Justicialista (PJ, peronista), ao afirmar na casa de Governo que o mundo terá que entender a delicada situação do país, onde acabam de morrer 30 pessoas devido a saques e à revolta social que causou a renúncia de De la Rúa.
''Terão que respeitar a decisão argentina de moratória. Há tempos dizíamos que a situação era insustentável e que não poderíamos continuar pagando a dívida com o sangue de nosso povo'', disse Duhalde depois de encontrar-se com Rodríguez Saá.
A Argentina deveria enfrentar o vencimiento do principal e dos juros da dívida de 20 bilhões de dólares em 2002, embora De la Rúa e seu ministro Domingo Cavallo preparassem uma troca global de bônus para reduzir os juros.
Em Nova York, analistas consideraram que por enquanto a suspensão de pagamentos por parte da Argentina não acarretará a declaração de moratórias em outros mercados emergentes da América Latina e no mundo, embora o custo do endividamento do Brasil e de outros países aumentará.
Oscar Liberman, diretor da liberal Fundação Mercado, da Argentina, disse que ''não ficamos bem como país com esta decisão, mas é uma realidade, já que a nação não está em condições de cumprir os prazos de pagamento''.
''O importante é ter um bom programa econômico para negociar de agora em diante com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os organismos multilaterais'', disse Liberman.
Para Martín Redrado, presidente da Fundação Capital (FC), o anúncio de Rodríguez Saá ''foi uma forma de jogar a bola para a frente''.
''O sentido da medida é pôr em ordem de prioridade a pacificação nacional e mostrar depois a nossos credores um plano sério e que se possa cumprir'', disse Redrado. Para Manuel Solanet, da ultraliberal Fundação de Investigações Econômicas Latino-Americanas (FIEL), ''é lamentável não cumprir com o pagamento da dívida''. ''O mercado está reagindo negativamente'', afirmou.

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