Arquivo FolhaEm compasso de esperaKouri acha que o quadro não é alarmante e nem promissor: ‘‘Na realidade, mostram uma economia estagnada’’É alto o índice de inadimplência no comércio do Paraná, de acordo com dados da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap). Em dezembro, o índice médio de inadimplência subiu 21,1% no Estado em relação a novembro. Segundo o presidente da Faciap, Farage Kouri, esse dado mostra o desequilíbrio entre o volume de vendas e o pagamento de débitos, já que o número de consultas de lojistas junto aos Serviços Centrais de Proteção ao Crédito (SCPC’s) cresceu 49,1% em dezembro em comparação com novembro - o que significa aquecimento nas vendas.
Para Farage Kouri, a alta inadimplência é reflexo do número de desempregados, das altas taxas de juros, do pacote fiscal e de outros fatores que impedem o crescimento da economia brasileira no âmbito geral. Os números da Faciap mostram ainda que muitos trabalhadores paranaenses destinaram parte do 13º salário para pagar prestações atrasadas, limpando seus nomes junto aos SCPC’s estaduais. O cancelamento de débitos cresceu 14,6% em dezembro comparando com
novembro, quando o índice ficou negativo em 12%.
Para analisar o desempenho do comércio, a Faciap toma como base dados das Associações Comerciais de Curitiba (ACP), Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Paranaguá e Foz do Iguaçu.
Em Curitiba (ACP), por exemplo, o número de consultas cresceu 46,1% em dezembro, na comparação com novembro, totalizando 413.572 solicitações. Mas o índice de inadimplência subiu 46,1%, na relação entre os dois meses, com 56.268 casos, enquanto que os 25.370 cancelamentos de débitos significaram uma elevação de apenas 12,7% nesse período.
Em Londrina, os dados revelam uma situação um pouco melhor para o comércio. Houve o crescimento de consultas, 156.356 (+48,7%), mas também uma queda no número de inadimplentes, que foi de 6.680 (-11,1%) e foram registrados 5.201 cancelamentos de dívidas (+13,8%).
Paranaguá apresentou a maior alta no índice de consultas, com 52.802 atendimentos (+90,7%). Outro ponto positivo para o comércio local é a queda da inadimplência no período, com 2.595 casos (-27%) e 2.934 cancelamentos de débitos (+ 66%).
Uma situação diferente foi registrada em Cascavel, onde a elevação de consultas foi expressiva, com 53.410 solicitações (+59,2%). Em contrapartida, cresceu a inadimplência (+66%), com 4.112 casos, e o número de cancelamentos foi de apenas 2.138 (+28%). Em Maringá, também houve aquecimento de consumo, com 142.251 consultas (+55,9%), mas o débito no comércio cresceu em 9.045 o número (+42%), e os cancelamentos para 4.504 (+63,1%).
Outro município em que houve grande crescimento no número de consultas foi Foz do Iguaçu, com 45.258 (+53,6%). A inadimplência aumentou 8% com 3.857 registros; e os cancelamentos, 2.090 (+34,3%). Em Ponta Grossa, o SCPC local totalizou 41.044 consultas (+11,5%), 4.021 casos de inadimplência (-10,8%) e 2.085 cancelamentos (-39%).
Segundo Farage Kouri, ‘‘o quadro não é alarmante, mas também não é promissor. Na realidade, esses dados mostram que a economia brasileira se mantém estagnada’’. O presidente da Faciap insiste na necessidade das reformas. ‘‘Enquanto não forem feitas as reformas estruturais, fiscais, tributárias, previdenciárias e, fundamentalmente, as sociais, não haverá crescimento em nenhum setor, sem possibilidade de novos investimentos e de reorganização do sistema econômico nacional’’.

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