Marcos Negrini




PrejuízoVentilador ameniza temperatura do galpão. Na foto inferior, Guandalini mostra frango de 27 dias: fora de risco

Os granjeiros de Astorga, a 44 km de Maringá, perderam cerca de 10 mil frangos no início desta semana devido ao excesso de calor. A temperatura chegou a 34 graus à sombra. No município há 200 granjas que produzem uma média de 150 mil frangos a cada 52 dias. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Astorga e vice-presidente da Faep, Guerino Guandalini, as aves morreram asfixiadas: ‘‘Estamos patinando no seco, sem chuvas’’.
A granja dos Irmãos Campeolo, no distrito de Granada, foi uma das mais prejudicadas com o calor: dos 12 mil frangos, cerca de mil morreram asfixiados, apesar das medidas de segurança contra o calor adotadas pelos produtores.
Na região de Astorga, que compreende 10 municípios, são produzidos cerca de 2 milhões de frangos de corte. Os frigoríficos entregam os pintinhos fêmeas de um dia aos granjeiros. Entre 48 e 52 dias, as aves ficam em galpões especiais. Guandalini explica que para manter as aves em bom estado é necessária uma temperatura de 20 graus.
Os galpões, com média de 1 mil metros quadrados cada um, são bastante arejados - as paredes são de telas de arame. No inverno, cortinas de pano protegem os frangos do frio. No verão, além de ventiladores, os granjeiros molham os galpões com água para refrescar as aves. Com calor excessivo transmitido pelas penas, e como as aves ficam bastante próximas umas das outras (nenhuma precisa andar mais de dois metros para se alimentar devido aos comedores espalhados pelo galpão), a temperatura dentro do galpão pode chegar até 40 graus, que é fatal para elas. O coração pára de bater e elas morrem asfixiadas.
Na granja Tupinambá, que tem capacidade para criar 50 mil frangos de uma vez, não houve problemas com o calor devido à altitude do local. ‘‘Onde venta muito, não há este tipo de problema’’, afirmou Guandalini.
Em crise Além do calor, ele diz que outro problema dos granjeiros é o preço do produto: ‘‘Estamos em crise há mais de dois anos. O preço do frango vivo está entre R$ 0,65 e R$ 0,70 o quilo. Isto para quem é dono da ave. No nosso caso, recebemos as aves dos frigoríficos para criar. O custo de cada uma delas, para nós, é de R$ 0,08. O frigorífico nos paga entre R$ 0,10 e R$ 0,12. Eles recebem uma ave com média de 2,4 quilos e de excelente qualidade’’.
O preço da ração é de R$ 0,20 o quilo e, além dos empregados (média de quatro por granjeiro), o produtor ainda tem de pagar um vigia noturno para evitar a entrada de gatos do mato e gambás e baixar as cortinas se houver vendaval. Na granja Tupinambá, além dos 30 ventiladores instalados em cinco galpões (cada um tem capacidade para 10 mil aves), há também um sistema de irrigação de água.

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