O forte calor, com temperaturas oscilando perto dos 35 graus, inibe alguns lojistas de exporem a coleção outono-inverno nas vitrines. Há poucos dias da virada da estação, as lojas tentam desovar o que sobrou da coleção de verão oferecendo promoções e descontos especiais e arriscam nas vitrines poucas peças da nova coleção. A partir da segunda quinzena de março, e, principalmente, no dia 26 (Sábado de Aleluia), quando o comércio permanecerá aberto até as 18 horas, os lojistas acreditam num incremento nas vendas.
A convenção coletiva do comércio varejista prevê a abertura até as 18 horas nos dois primeiros sábados do mês. Neste mês especificamente, os lojistas optaram por abrir no Sábado de Aleluia em razão da Páscoa, que deve aumentar o fluxo de pessoas na área central.
Nesse início de março as vendas têm sido instáveis para alguns lojistas, justamente por causa do calor prolongado. ''O começo de março é um período instável. Com a virada da estação, acreditamos num incremento nas vendas'', prevê o gerente administrativo do Shopping Quintino, Flávio Juliani. Nesta entressafra, como os lojistas chamam esse período de mudança de estação, vende-se peças intermediárias, como as malhas mais finas.
A vendedora de uma loja no shopping disse que ainda está vendendo bem a coleção/verão. ''Estamos com receio de colocar a coleção outono/inverno na vitrine porque o calor ainda está muito forte. As peças da meia estação chegam na próxima semana'', comentou a vendedora Cristina dos Reis. Thaliz Barbosa Ribeiro, que estava comprando peças de verão, disse que nem olha para as vitrines de inverno. ''Até me arrepia. O calor está demais e deve perdurar por mais alguns dias''.
O superintendente do Catuaí Shopping, Silvio Carvalho, disse que algumas lojas continuam queimando as mercadorias de verão para começar a vender a próxima coleção. ''Março não é nosso melhor mês, mas as confeções sabem que esse veranico passa rápido e que as lojas devem estar preparadas com a nova coleção'', disse Carvalho.
A onda de calor foi a principal aliada da promoção que terminou ontem no Armazém da Moda. A estratégia para queimar estoque partiu de uma decisão da associação dos lojistas, a partir da necessidade de liquidar as mercadorias de verão. ''Vendemos nesses dias entre 20% a 30% a mais'', relatou o presidente da Associação dos Lojistas do Armazém, Luís Pereira do Nascimento
Tatiane de Souza Scaramal, proprietária da Diulli, é uma das poucas comerciantes do Shopping Quintino que está apostando na coleção nova. Ela disse que esta semana começou a vender muitas peças, principalmente batas com mangas longas e semilongas.
Para o presidente da Associação dos Lojistas do Catuaí, Rangel Tarosso, a nova estação é uma porta que se abre para as vendas. ''O cliente exclusivo, que gosta de novidade procura por produtos novos e com valor agregado'', comenta ele, informando que já tem procura por esse tipo de peça na loja. Na avaliação de Tarosso, as vendas das peças da nova estação só serão prejudicadas se o calor perdurar por mais duas semanas.
Na área central, a Riachuelo já está com a coleção nova desde o dia 3 de março. ''Já temos vendido bem roupas de meia estação. Como não temos um inverno rigoroso, as roupas desse período são mais leves. As malhas mais finas vendem superbem'', comentou a supervisora de vendas Edna Gonçalves de Paula.

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