Calor e Copa dão gás ao setor de bebidas
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A elevação das temperaturas e a diminuição das chuvas durante o verão brasileiro, aliadas à realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, fazem com que aumente a expectativa de recuperação entre executivos da indústria nacional de bebidas. O mercado sofreu queda de 2% na produção de cerveja em 2013 ante 2012 e uma redução de 3,6% no setor de refrigerantes, segundo o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). Para este ano, a perspectiva é ao menos retornar ao mesmo nível de 2012.
Em Londrina, a temperatura máxima foi igual ou superior a 34ºC por três vezes neste janeiro e ficou apenas quatro vezes abaixo de 30ºC. No mesmo período do ano passado houve apenas um dia com máxima de 34ºC e nove abaixo de 30ºC, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Sensação de calor que tem se repetido pelo País.
Empresários e associações do setor preferem não comentar o desempenho de vendas antes do fechamento do mês, mas o diretor de mercado do Grupo Petropólis, Douglas Costa, já prevê crescimento. "Começamos bem. Por conta das altas temperaturas e chuvas em menores quantidades do que em 2013, as vendas de cerveja estão entre 10% e 15% maiores nesse início do verão e ano", afirma.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Herculano Anghinetti, diz que a percepção é realmente de uma demanda maior do que o ano passado. "As temperaturas mais quentes, a realização da Copa e as eleições vão ajudar a estimular o consumo do produto neste ano", prevê.
Segundo o presidente e consultor da Concept Consultoria, Adalberto Viviani, o desempenho das vendas de cerveja acompanhará o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), estimado hoje entre 2% e 2,5%. "Se juntarmos com o carnaval tardio, a realização da Copa do Mundo no inverno e as eleições, podemos ver um crescimento do setor no ano."
Queda em 2013
O brasileiro consumiu uma latinha a menos por mês no ano passado, o que significou uma retração na fabricação de cervejas de 13,74 bilhões de litros em 2012 para 13,46 bilhões em 2013. Para o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (Cervbrasil), Paulo de Tarso Petroni, a desaceleração do crescimento da renda real e o endividamento das famílias provocou a queda no setor.
Porém, ele mantém o otimismo. "A indústria possui confiança na economia brasileira, com forte perspectiva de investimento. Nossas associadas mantêm seus planos para o longo prazo, tais como na ampliação de fábricas, além de sempre estudar novas unidades."
Com a expectativa de vender mais cervejas diante do aumento de calor tradicional em janeiro, a produção de dezembro de 2013 foi 3,2% maior do que a de novembro e cresceu 1,5% sobre o último mês de 2012, conforme dados da Cervbrasil. Nos quatro meses anteriores, o desempenho havia sido negativo na comparação com o mesmo período do ano anterior, com resultados de quedas entre 3,2% e 5,3%.
Inflação da cerveja
A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2013 em 5,9%, pouco além dos 5,8% de 2012. Quando considerada apenas a inflação da cerveja, o peso no bolso do consumidor aumenta. O IPCA da bebida foi de 10,1% no ano passado e de 13,1% em 2012, o que contribuiu para a redução no consumo.
Um executivo de cervejaria de grande porte que não quis se identificar explica ainda que o principal fator para o aumento do consumo é o calor, mas que o adiamento do reajuste dos impostos, que seria em outubro de 2013, reduziu a sensação de inflação no período de maiores vendas. (Com Agência Estado)


