São Paulo - Um ano após o início da crise financeira internacional, a calmaria chegou à Bolsa de Valores de São Paulo. O índice que mede a intensidade das oscilações do mercado acionário desceu a seus menores patamares históricos. Todavia, diferentemente do que pode parecer, a notícia não é de todo positiva.
Se por um lado o mercado acionário mais calmo permite que o investidor se planeje melhor, por outro, agradáveis surpresas de altas rápidas e expressivas passam a ser artigo raro.
O índice de volatilidade do Ibovespa ficou em 19% no último mês. Em outubro do ano passado, no auge da crise, chegou a 112%. No primeiro semestre de 2008, antes de o mercado ser afetado pelas turbulências internacionais, o índice girava em torno de 35%.
A função desse indicador - que é calculado pela BM&FBovespa - é apontar a intensidade e a frequência das oscilações dos preços das ações. Quanto mais elevado for o percentual indicado, mais agitado está o mercado naquele período.
''O ruim de um mercado muito parado é que os investidores mais agressivos, os especuladores, somem. E esses investidores são importantes para a liquidez do mercado'', afirma Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.
O mercado mais calmo tem sido acompanhado pela redução do volume negociado. Com menos oscilações, os investidores têm diminuído a intensidade das operações que fazem na Bolsa. O volume médio negociado diariamente nos pregões recuou de R$ 5,53 bilhões em 2008 para R$ 4,73 bilhões neste ano. No pregão da última sexta-feira, foram girados R$ 4,05 bilhões.
Um ponto que tem esfriado a Bolsa é o fato de ter subido de forma intensa nos últimos meses. Não é difícil encontrar analistas avaliando que o mercado acionário já está ficando caro. Em outras palavras, muitas ações podem ter subido além do razoável.
''A nossa Bolsa está entre as que mais subiram em dólares no ano. E aparentemente há um certo exagero aí'', afirma Silvia Baum Ludmer, economista do banco Fator.

Destaque
O Ibovespa, índice que reúne as 64 ações mais negociadas, registra valorização de 99,8% em dólares no ano. Dentre as maiores Bolsas do mundo, sempre considerando o resultado em dólares, quem se aproxima mais é a da Rússia, com alta de 81,9%. No México, a valorização é de 36,8%. A Bolsa de Londres tem ganho de 29,3%. E o índice Dow Jones, o principal de Nova York, registra elevação de apenas 9,45% em 2009.
Como os investidores estrangeiros - que representam a categoria que mais negocia na Bovespa - já tiveram ganhos bastante elevados com as ações brasileiras em 2009, eles têm optado por desacelerar as compras, ao menos nas últimas duas semanas. Ao se retraírem, acabaram por tirar um pouco da intensidade dos pregões.
''O mercado está menos agitado, e temos visto o estrangeiro menos presente. Para a volatilidade aumentar, é necessária a entrada de mais dinheiro no mercado'', afirma Bandeira.
O que poderia trazer alguma agitação à Bolsa é a retomada dos IPOs (lançamento de novas ações). Mas esse tipo de operação começou a ser reconsiderada pelas empresas há pouco tempo. A impressão do mercado é que poucas ofertas de novas ações ocorrerão nos próximos meses.

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