Calendário, promoções e crise afetam supermercados
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quarta-feira, 22 de maio de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O calendário, com um fim de semana a menos, a continuação da política de promoções e descontos e o aperto na renda dos consumidores levaram o setor supermercadista a registrar em abril vendas reais 14,31% menores que as verificadas em março. O Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) está deflacionado pelo IPCA do IBGE.
O desempenho negativo anulou a recuperação do setor do mês anterior e levou a uma queda acumulada de 2,07% no quadrimestre. Até março, as vendas se mostravam 0,43% maiores que no ano passado. A comparação do desempenho comercial dos supermercados de abril em relação ao mesmo mês do ano passado também foi afetada pelo calendário. No ano passado, as vendas de Páscoa concentraram-se entre os dias 9 e 15 de abril, mas em 2002 o movimento foi mais forte na última semana de março. Segundo a Abras, isso explica a queda de 9,17% do índice de vendas.
Em valores nominais, sem o deflator, as vendas do setor mostraram queda de 13,63% em relaçao a março e recuo de 1,92% ante abril de 2001. No quadrimestre, as vendas nominais mostram crescimento de 5,49%.
A Abras espera um desempenho melhor nas vendas apenas a partir de junho, devido ao aumento do salário mínimo de R$ 180,00 para R$ 200,00 e pela realização da Copa do Mundo, que começa dia 31.
A associação também divulgou ontem o indicador Abras-Mercado, que acompanha a oscilação de preços e gastos familiares. A cesta Abras-Mercado mostrou queda de 0,70% em abril, com o valor recuando de R$ 146,22 para R$ 145,19 em um mês. As maiores quedas de preços no último mês foram do frango congelado (-3,91%), sabão em pó (-5,23%) e biscoito Cream Cracker (-5,62%). Entre as altas, destacaram-se o tomate (+8,30%), batata (+12,87%) e feijão (+4,25%).


