BRASÍLIA - O governo modificou ontem a fórmula de cálculo do redutor da Taxa Referencial (TR), para ter mais liberdade na administração da política de juros. A partir de outubro o redutor a vigorar no mês seguinte será calculado e divulgado pelo Banco Central no final do mês anterior. Dessa forma, o primeiro redutor a ser fixado dentro da nova sistemática será o de novembro.
O cálculo do redutor vai considerar a variação da Taxa Básica Financeira (TBF) nos últimos cinco dias úteis do mês. Com isso, segundo o diretor de Política Monetária e Econômica do BC, Francisco Lopes, o rendimento da poupança, que tem como base a TR, ficará mais próximo da rentabilidade dos CDB.
Lopes admitiu ainda que, a partir da nova sistemática, o governo corre um risco menor. Isso porque, fixando o redutor com seis meses de antecedência, poderia haver um efeito de variações futuras dos juros. Isso, tanto na rentabilidade da poupança como na venda de títulos do Tesouro, que tem papéis (no caso as NTN-H) vinculados à TR.
Lopes acredita ainda que a decisão do CMN dará mais calma ao mercado por conhecer a fórmula de cálculo. Com isso, acredita o diretor, poderão ser feitas estimativas e projeções. ‘‘Conhecendo a fórmula, eles podem avaliar melhor’’, destacou Lopes. Qualquer mudança na nova fórmula terá que ser anunciada com seis meses de antecedência.
Fórmula A nova fórmula passa a ser a seguinte: 1 + R
(redutor) igual 1,0025 + 0,45 X média aritmética simples das TBFs relativas aos cinco últimos dias úteis do mês anterior ao mês de referência. Exemplo: para o período de 16 de maio a 16 de junho os valores definidos foram TBF: 1,05725, ou 20,59% ao ano. TR: 0,6166%, 7,66% ao ano. Poupança: 1,1197% (14,29% ao ano). Se fosse aplicada a mesma fórmula para este mesmo período, a poupança e a TR seriam ligeiramente inferiores: TR: 0,6090%, ou 7,56% ao ano; Poupança: 1,1121% (14,19% ao ano).

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