Os trabalhadores que têm direito à reposição das perdas do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por causa dos planos econômicos Verão e Collor (abril de 90) poderão ter de esperar ainda mais para receber a correção. Hoje, durante a primeira reunião entre governo e centrais sindicais, os diretores da Caixa Econômica Federal deverão discutir com os representantes dos trabalhadores um prazo de carência para apurar o valor devido de cada conta. Para um integrante do governo que participará das negociações, esse cálculo pode ser mais demorado do que o processo de centralização das contas na Caixa que durou aproximadamente dois anos.
De acordo com a Caixa, a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) ainda está fazendo o levantamento das informações em 72 instituições financeiras que até 1992 administravam, de forma pulverizada, as contas do Fundo. A dificuldade encontrada pela entidade para reunir os dados é que alguns bancos foram liquidados e outros ainda não têm informações sobre os saldos em fitas magnéticas, o que torna mais moroso o trabalho.
Outro ponto que deve ser discutido nas reuniões é a possibilidade de saque imediato. O governo não apresentará proposta, mas há consenso de que os trabalhadores que puderam retirar o dinheiro do FGTS durante a década de 90, sem as devidas correções, têm direito a sacar o valor dos 68,9% sobre o saldo antigo sem restrições. ‘‘Mas a maneira como será feito o pagamento depende da proposta que deverá ser apresentada pelas centrais sindicais e que vai ser analisada pelo governo’’, disse um técnico. É preciso saber, no entanto, quanto o trabalhador tinha na conta à época, o que também depende do levantamento que está em curso pela Caixa juntamente com a Febraban.
De acordo com o integrante do grupo que estuda a questão, o governo ainda não afasta a possibilidade de restringir os saques do Fundo para atenuar o impacto das correções ao longo do tempo. Desta forma, explica o técnico, haveria tempo para que o fluxo de caixa fosse suficiente para cobrir o passivo estimado em R$ 42 bilhões para as mais de 140 milhões de contas que têm direito à reposição das perdas inflacionárias.

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