''A crise argentina acabou vindo em momento propício, de certo modo, pois pegou o setor com praticamente todos os negócios fechados e prestes a entrar na baixa temporada, entre janeiro e fevereiro, que é o tempo necessário para que a ordem se estabeleça por lá''.
Além da sazonalidade das vendas para a Argentina, segundo ele, a maior parte das empresas brasileiras que negociam com a Argentina, como Picadilly e Azaléia, possuem unidades instaladas naquele país, o que diminui o risco de possíveis calotes nos pagamentos do produto. Ainda de acordo com Giacometti, as exportações de calçados brasileiros para a Argentina, que estão praticamente concentradas na produção de sapatos femininos no Sul do País, devem atingir 21 milhões de pares até o final de dezembro, de um total de 170 milhões que o Brasil deve exportar em 2001. Até novembro, o País já havia negociado 19,85 milhões de pares com a Argentina ante um total de 18,94 milhões de pares em todo o ano de 2000.
O crescimento de exportações para a Argentina deve, com isso, superar o crescimento total das exportações de calçados brasileiros este ano. Segundo o presidente da Abicalçados, a estimativa de atingir os US$ 1,8 bilhão com as exportações de calçados este ano teve que ser reduzida após os ataques terroristas aos Estados Unidos. A previsão é de que o faturamento do setor com exportações totais este ano chegue a US$ 1,6 bilhão, pouco acima dos R$ 1,56 bilhão registrados no ano passado. A meta para o próximo ano, diz Giacometti, é atingir os US$ 1,8 bilhão previstos para este ano.

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