Calçados devem ficar fora das retaliações
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2001
Paula Puliti Agência Estado 
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Nestor de Paula, acredita que o calçado brasileiro não fará parte da lista de possíveis produtos que podem sofrer sobretaxação para entrar no Canadá. De Paula afirmou que obteve essa indicação de fontes extra-oficiais. Ele afirmou, ainda, que não há qualquer registro de empresa brasileira que tenha sido prejudicada em razão da possibilidade de sanção.
Na avaliação do vice-presidente da entidade, Ricardo Wirth, o setor ainda tem duas semanas de prazo até que os impactos possam ser sentidos. Segundo ele, a temporada de negociações para o outono/inverno canadense vai de meados de fevereiro ao início de março, culminando com a Feira de Las Vegas, nos Estados Unidos, de 26 a 28 de fevereiro. A ameaça de retaliação pode comprometer a comercialização nesse período, pois tanto os brasileiros quanto os importadores canadenses estão indecisos, afirmou o empresário.
O principal temor da Abicalçados está ligado ao futuro da produção do setor, já que a sobretaxa de 100% mais o imposto de 8% a 15% que o sapato brasileiro já paga para entrar no Canadá, dificultará as exportações. No ano passado o Canadá foi o quarto principal mercado para o sapato brasileiro no Exterior, exportações que totalizaram US$ 33,5 milhões. O Canadá recebeu autorização para retaliar o Brasil em US$ 1,4 bilhão da OMC por conta do contencioso Embraer/Bombardier, mas a lista de produtos a serem sobretaxados ainda não foi publicada.


