Caixas de madeira causam grande perda de produtos
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As caixas de madeira utilizadas para o acondicionamento de frutas e legumes estão com os dias contados nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa). A partir de julho, frutas como maçã e mamão já terão que apresentar novas embalagens, que protegem mais as frutas. As medidas representam a execução de um plano piloto da resolução do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que determinou o fim das caixas de madeira nos mercados atacadistas.
Além do início das substituições da caixaria, a Ceasa do Paraná inicia a construção de ''packing-houses'', locais adequados para o armazenamento de frutas e legumes. Para adotar essas medidas de acordo com os padrões mais avançados no mundo, a Ceasa promoveu ontem o Seminário Franco-Brasileiro sobre Novas Tecnologias de Frutas e Legumes, na Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), em Curitiba. A França é um país que domina as tecnologias de produção e armazenamento de frutas e legumes, além de ostentar um dos maiores consumos per capita desses produtos.
A preocupação com a mudança das embalagens visa a prorrogação da vida das frutas e legumes, que atualmente são praticamente ''esmagados'' dentro das caixas, disse a presidente da Ceasa do Paraná, Jane Elisabeth Setenareski. Com um período de vida mais longo será possível o barateamento dos preços, principalmente das frutas que são muito altos, admitiu Setenareski. Segundo ela, entre 40% e 50% da produção de frutas no Brasil são perdidos por causa da caixaria e falta de processamento industrial.
Ela citou como exemplo a produção de frutas cítricas de Cerro Azul. O sistema de produção ainda é primário e arcaico e com isso as perdas se acumulam no município, que vive da produção de frutas e é um dos mais pobres do Estado. Se a produção fosse mais valorizada, certamente o rendimento dos produtores poderia ser melhor, destacou a presidente da Ceasa.
Além disso, a melhor apresentação da fruta e legume através de uma embalagem moderna e prática induz ao aumento do consumo. De acordo com Setenareski, o órgão está empenhado em reverter os atuais níveis de consumo considerados muito baixos. No Brasil o consumo per capita de frutas é de 50 quilos por ano, enquanto que em países como a França o consumo atinge 91 quilos por ano e na Espanha, 120 quilos de consumo per capita/ano. Para atingir esse consumo, entretanto, Setenareski disse que ainda há muito caminho pela frente.


