Brasília - A Caixa Econômica Federal destinará R$ 500 milhões de recursos próprios para financiar a compra de imóveis residenciais e comerciais novos e usados pelas classes média e alta. Na segunda-feira, dia 3, em todas as agências da instituição será relançada a Carta de Crédito Caixa, que estava suspensa desde agosto de 2001. De acordo com uma nota da instituição, a decisão foi tomada diante da ''tendência de queda'' da taxa básica de juros, a Selic. A estimativa da Caixa é de que pelo menos 10 mil unidades poderão ser financiadas.
Com os juros mais baixos, a Caixa voltou a considerar ser economicamente viável emprestar esses recursos, cobrando taxas mais baixas que a Selic. A taxa anual de juros da carta de crédito será de 13,7% mais a variação da Taxa de Referência (TR). Essa taxa está entre as mais baixas do mercado, e o grande diferencial é a inexistência de limite de valor financiado, segundo a Caixa. Não há limite de renda para esse financiamento, mas, segundo assessores, ele deverá voltar-se para mutuários com renda acima de R$ 4,5 mil, que não são atendidos pelos planos de financiamento que usam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
De acordo com uma nota distribuída pela instituição, com a retomada da Carta de Crédito ''a Caixa amplia a abrangência de suas linhas de financiamento para todas as faixas de renda da sociedade e preenche uma lacuna existente no mercado desde a suspensão dessa modalidade''.
Com prazo de amortização do financiamento de até 180 meses, pelo Sistema de Amortização Constante - SAC (sem resíduo ao final) -, a Carta de Crédito financiará a aquisição de imóvel residencial ou comercial, novo ou usado, além da construção de imóvel comercial (com aquisição de terreno e construção em terreno próprio).
Segundo o vice-presidente de negócios bancários e imobiliários, Fábio Lenza, o novo produto faz com que o mutuário pague uma prestação maior no início, que vai se reduzindo progressivamente. Alguém que pegue um financiamento de R$ 50 mil, por exemplo, pagará a primeiro prestação de R$ 1.124,18. Em 96 meses estará pagando R$ 688 e, no final dos 180 meses, apenas R$ 303. Isso se a TR ficar estável em 5%, o que é maior que os 4% atuais. ''A prestação é composta pela amortização do emprestado, mais os juros'', explica Lenza.
O valor da amortização será constante durante os 180 meses. ''Isso vai ser bom para o mutuário, pois a prestação vai se reduzindo, e para a Caixa, que tem a segurança de receber os pagamentos.''
Os R$ 500 milhões estão previstos para serem ofertados este ano, mas poderão ser utilizados também no ano que vem. Segundo a nota da Caixa, poderão ser destinados mais recursos, de acordo com a demanda pelo financiamento. A instituição usará como parâmetro para todas as modalidades o financiamento vinculado ao Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).
O interessado poderá comprometer até 30% da renda e a carta de rédito terá validade por 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Não haverá reajuste do saldo devedor, que passa a ser reduzido mensalmente com o pagamento da prestação até chegar a zero no final do financiamento, ou seja, ao final não há saldo residual a ser pago pelo mutuário.

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