Caixa vai ampliar crédito comercial em 50%
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sexta-feira, 12 de março de 2004
Jacqueline Farid 
Rio - A Caixa Econômica Federal (CEF) vai ampliar em 50% a oferta de crédito comercial neste ano ante 2003, com montante total de R$ 30 bilhões, ante R$ 20 bilhões no ano passado. A expectativa do presidente da instituição, Jorge Eduardo Levi Mattoso, é de que o incremento contribua para aquecer a demanda de consumo por bens duráveis e não-duráveis no País.
No ano passado, o volume de crédito comercial da Caixa - que abrange desde financiamento de veículos a cheque especial - já havia crescido 25% ante 2002, segundo Mattoso, ''porque acreditamos no crescimento econômico''. Ele explicou, em entrevista após palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), que neste ano também a aposta da Caixa é de crescimento da economia - com expansão de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ante o ano passado.
''Existe uma demanda reprimida de crédito, há espaço para crescimento econômico e não existe crescimento sem crédito'', disse Mattoso, para quem o aumento do emprego e da renda neste ano vai elevar a demanda por crédito no Brasil.
Segundo ele, a maior parte dos R$ 30 bilhões deve ser para crédito à pessoa física. O presidente da Caixa explicou que, no total, a instituição vai colocar no mercado R$ 41 bilhões em crédito neste ano. Além dos R$ 30 bilhões de crédito comercial, serão direcionados R$ 8 bilhões para habitação e R$ 3 bilhões para saneamento e infra-estrutura.
Mattoso anunciou que a Caixa vai instalar entre 250 e 280 novas agências bancárias no País neste ano e, até 2006, serão criadas 510 agências. Na palestra, ele defendeu o papel do setor financeiro como ''fundamental'' para o desenvolvimento econômico, especialmente via disponibilidade de crédito com prazos e custos adequados, que permitam investimentos. Ele garantiu que o papel da Caixa terá ''uma grande contribuição para o desenvolvimento'' em 2004 ao ''expandir sua oferta de crédito com ágil e criteriosa avaliação de risco''.
Juros - Questionado se a instituição manterá a decisão de expansão do crédito mesmo com lentidão maior do que a esperada na queda da taxa básica de juros, ele disse que a manutenção da Selic não mudará os projetos, mas sim a previsão da Caixa. Mattoso explicou que a Caixa, única instituição financeira pública incluída no Top 5 (maior acerto em previsões econômicas) do Banco Central, previa juros básicos médios de 14,8% neste ano, mas deverá rever para cima essa estimativa.
Apesar da manutenção dos juros básicos altos, Mattoso disse que a Caixa prosseguirá ''no esforço para alavancar crédito e investimento''. Ele garantiu que a instituição manterá ''os juros menores do mercado para os diferentes produtos.''


