São Paulo - O presidente da Caixa Econômica Federal (Caixa), Jorge Mattoso, disse que a Caixa terá R$ 11 bilhões de orçamento neste ano para aplicar em programas de financiamento à moradia e saneamento básico. Deste total, R$ 8 bilhões serão direcionados para programas habitacionais, que no ano passado receberam R$ 4,870 bilhões.
Outros R$ 3 bilhões serão aplicados em projetos de saneamento básico e infra-estrutura. No ano passado, foram direcionados R$ 1,7 bilhão para os programas ligados a estas áreas. ''Tentaremos superar este orçamento de R$ 8 bilhões por meio da criação de fundos para financiar a habitação'', disse Mattoso segunda-feira à noite durante a posse da nova diretoria do Secovi (sindicato da habitação), em São Paulo.
Segundo ele, estes fundos podem captar mais R$ 1,2 bilhão, que seriam direcionados para programas habitacionais. Os Fundos de Direito Creditório (FIDCs) utilizam recursos privados para a execução de obras de interesse social como moradias populares.
As medidas para a reativação da construção civil, anunciadas ontem pelos ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Olívio Dutra (Cidades), são positivas para o setor. A avaliação é do presidente do Sinduscon-SP (sindicato dos construtores), Artur Quaresma Filho.
Segundo Quaresma, uma das medidas mais importantes é a duplicação, de 1% para 2% ao mês, da dedução do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) virtual no cálculo da destinação dos recursos dos depósitos das cadernetas para a habitação.
A medida, prevista para vigorar a partir de abril, representará o direcionamento de mais de R$ 1,6 bilhão para financiamentos imobiliários até dezembro de 2004, segundo o governo. ''Esses recursos chegarão ao mercado na metade do tempo originalmente previsto, o que será positivo'', comenta o presidente do Sinduscon-SP. A medida deverá ser tomada numa reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional, que o governo pretende realizar ainda nesta semana.
Para o presidente do Secovi-SP (sindicato de construtoras e imobiliárias), Romeu Chap Chap, o pacote é ''apenas o começo'' do cenário atual. ''Nada é suficiente. Este pacote é só um começo e contém medidas do governo para desobstruir e retirar obstáculos aos financiamentos'', disse Chap Chap.
No entanto, o presidente do Secovi disse que existem outros obstáculos para o financiamento habitacional e que ficaram de fora do projeto de lei. ''Estas medidas podem ser positivas se a taxa de juros decrescer, para o emprego crescer em outras atividades. Isso fará com que população tenha salário e emprego e possa assumir um compromisso de longo prazo, que é comprar um imóvel pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH).''
''As medidas anunciadas são boas, mas não são suficientes. Estamos negociando outras medidas'', afirmou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, ressaltando que, no cenário mais otimista, o setor poderá sentir algum efeito das mudanças no segundo semestre.

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