Caixa só financia casa para classe média com poupança
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quarta-feira, 22 de maio de 2002
Agência Estado 
Brasília - A classe média vai ter de poupar para ter acesso a um financiamento habitacional. A nova política de habitação em estudo pelo governo traz uma divisão clara entre a política de interesse social e a de mercado e prevê uma contrapartida maior de recursos do mutuário. Além disso, o documento que será encaminhado ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, propõe mudanças na forma de correção das prestações e a fixação, via emenda constitucional, de um porcentual mínimo da arrecadação de impostos que será destinado ao setor.
O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Valdery Albuquerque, destaca que a instituição não financia mais 100% do valor da casa própria para as famílias com renda superior a 10 salários mínimos e que a tendência é, cada vez mais, a diminuição do porcentual a ser financiado, hoje em 80%. O ideal é que se financie valores menores e no menor tempo possível, disse. Segundo ele, quanto mais dinheiro a pessoa pegar emprestado e maior for o prazo de financiamento, mais caro ficará o sonho da casa própria.
O que no início é um prazer, a realização de um sonho, se torna um pesadelo com o passar do tempo, argumentou. O presidente da Caixa explicou que o custo do financiamento reflete diretamente essa combinação de prazo e valor.
De acordo com presidente da Caixa, grande parte da inadimplência decorre do fato de o mutuário não se programar para um endividamento de longo prazo. Como a prestação da casa própria varia ao longo do tempo de acordo com um indexador, o mutuário não consegue prever quanto da renda pessoal estará comprometida com o financiamento.
Albuquerque reconhece que os juros no Brasil ainda estão muito elevados e que o empréstimo sai caro. Daí o conselho para que o futuro mutuário junte algum dinheiro antes de procurar um financiamento para comprometer o mínimo possível de sua renda.


