Caixa registra rombo de R$ 14,2 bilhões
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sábado, 23 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
A Caixa Econômica Federal (CEF) fechou o mês de outubro com um rombo de R$ 14,2 bilhões em suas contas. O número foi revelado ontem pelo diretor de Finanças da instituição, Valdery Albuquerque, destacando que o Banco Central e o Tesouro Nacional ainda estão estudando a forma como o problema será solucionado.
Albuquerque salientou que ainda não tem aporte do Tesouro definido. Mas no último dia 30, o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, confirmou ao Estado que o Tesouro colocaria dinheiro na Caixa. Não deixaremos a Caixa sem o tratamento necessário, disse o secretário.
A insuficiência da Caixa começou com as exigências ao sistema financeiro previstas no Acordo da Basiléia e pioraram com a mudança das normas de classificação de risco dos créditos impostas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em março passado.
Para atender as exigências, a Caixa teria que ter um total de R$ 23,8 bilhões. Deste valor R$ 16,7 bilhões seriam para fazer as provisões e atender às novas regras do CMN. Mas a Caixa só conseguiu provisionar R$ 5,7 bilhões. Faltam, então, R$ 11 bilhões.
Ainda dentro dos R$ 23,8 bilhões estão R$ 7,1 bilhões de capital próprio que a instituição era obrigada a ter para enquadrar-se no Acordo da Basiléia. Com um patrimônio líquido de R$ 3,9 bilhões, a Caixa fica com uma insuficiência de R$ 3,2 bilhões neste item. O buraco de R$ 14,2 bilhões, portanto, é formado pela soma dos R$ 11 bilhões do déficit de provisão mais os R$ 3,2 bilhões da insuficiência nas regras da Basiléia.
Valdery explicou que somente no crédito H a Caixa concedeu R$ 9 bilhões. Destes, R$ 7,4 bilhões são referentes a crédito imobiliário. O restante divide-se em recursos destinados a financiamentos de infra-estrutura e comercial. Neste último, a maior parte das operações em atraso são de crédito educativo. Também estão em atraso créditos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que não foram repassados à Caixa por outras instituições financeiras que têm financiamento imobiliário.
A Resolução 2.682 previa o enquadramento de todos os bancos até o mês de julho passado. Mas foi aberta a primeira exceção à Caixa e, segundo o diretor de Finanças da instituição, a solução para o rombo deverá ser encontrada pelo governo até a publicação do balanço anual em março do próximo ano.
Sem querer fazer críticas à decisão do CMN, Valdery considerou que a Resolução 2.682 exige que a provisão seja feita de uma maneira indistinta, independentemente do prazo das operações. O diretor não quis dizer se estão sendo negociadas outras facilidades para a Caixa. Mas o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, já avisou que não haverá excepcionalidade para a Caixa.


