A Caixa Econômica Federal confirmou ontem a redução das taxas de juros para financiamento de imóveis acima de R$ 500 mil, fora do Sistema Financeiro de Habitação. A mudança atende necessidades de grandes cidades, como São Paulo e Brasília, onde o valor das residências é mais alto, mas faz com que mais pessoas tenham condições de assumir parcelas e optar por empreendimentos de valor mais elevado em cidades menores, na opinião de representantes de construtoras de Londrina.
As novas taxas entraram em vigor ontem. Para clientes que não têm relacionamento com a Caixa, a taxa efetiva caiu de 9,9% para 9,4% ao ano. No caso de correntistas da instituição e que tenham conta salário no banco, a queda é de 8,9% para 8,4%. Para servidor público, a tarifa chega a 8,3% ao ano. Em simulação da própria Caixa, um mutuário que financie um imóvel de R$ 600 mil, em 30 anos, economizará R$ 43,3 mil.
Diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Norte do Paraná, Olavo Batista Junior acredita que o objetivo seja facilitar a compra, e não vender mais unidades. "É um acelerador para quem tem intenção de compra de imóvel acima de R$ 500 mil, que pode acarretar em mais vendas a longo prazo."
Ele considera que, como os bancos analisam que um cliente pode gastar até 30% da renda com moradia, a redução do valor das parcelas facilite a compra. "Quando a taxa de juros cai, aumenta o leque de tomadores de financiamento", conta Batista Junior. O diretor diz que a expectativa no Sinduscon é de crescimento do setor de 5% ao ano na próxima década, em Londrina.
Gerente regional da construtora Plaenge, Celia Catussi afirma que qualquer diminuição de juros que parta do governo é bem-vinda. "É bem significativa a redução. Normalmente, quando a Caixa faz algo assim, a tendência é os outros bancos seguirem no mesmo caminho", diz. Ela conta que a empresa superou a expectativa de negócios em 2012 e que, com as medidas de fomento às vendas, o mesmo deve ocorrer neste ano. Celia acredita que qualquer incentivo ao crescimento do País reflete no mercado imobiliário, cuja cadeia produtiva está ligada à macroeconomia.
O diretor da central de vendas da Teixeira Holzmann Empreendimentos Imobiliários, Lourenço Alencastro Guimarães Neto, lembra que imóveis de valor menor já foram atendidos por reduções anteriores nos juros e que o anúncio de ontem favorece também quem quer investir no setor. "Houve queda na remuneração de investimentos como poupança e fundos de renda fixa, o que faz as pessoas procurarem mais os imóveis. O mercado continuará aquecido", diz. Para a construtora, a redução deve facilitar a comercialização de dois novos empreendimentos na faixa de valor que serão lançados em Londrina e mais quatro no restante do País.
Diretor de incorporação da A.Yoshii Engenharia, Sílvio Muraguchi considera que o volume de vendas da empresa deve ser bom com a mudança, mas alerta que o governo ainda precisa de novas medidas para manter o crescimento do País. "A redução das taxas de juros são favoráveis ao setor, mas o governo precisa investir em infraestrutura e cuidar da inflação." (Com Agência Brasil)

Imagem ilustrativa da imagem Caixa reduz juros para imóvel acima de R$ 500 mil
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