São Paulo - Após os grandes bancos como Bradesco, Nossa Caixa e Banco do Brasil ampliarem prazo e reduzirem juros nos seus financiamentos habitacionais, a Caixa Econômica Federal acirrou a briga pelo mercado ao anunciar ontem que também reduziu suas taxas de juros para este segmento. A Caixa liberou neste ano até maio R$ 13,2 bilhões para financiamentos habitacionais, valor 106% superior ao registrado em igual período de 2008. O número de contratos chegou a 275.464, uma evolução de 113% na mesma base de comparação. A Caixa que pretende liberar neste ano R$ 30 bilhões para as operações de financiamento imobiliário, acima da projeção anterior, que era de R$ 27 bilhões.
O vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, disse que o banco público tem como ''prática periódica'' recalcular as suas margens de ganhos em cada produto e, se houver aumentos, repassar as diferenças para os clientes finais. Ele informou que essa foi a motivação para a Caixa anunciar uma redução das taxas de juros nos financiamentos imobiliários. A decisão afeta as operações feitas com recursos captados pelas cadernetas de poupança.
O vice-presidente admitiu, no entanto, que também pesaram na decisão os movimentos recentes de grandes bancos nesse sentido. ''Verificamos que tivemos ganhos com produtividade e redução de custos operacionais no último ano que poderiam ser repassados aos clientes'', afirmou Hereda. ''Mas, também pesou de alguma forma o aumento da competição.''
Segundo ele, as reduções de juros não vão prejudicar os resultados da Caixa, porque a decisão foi tomada ''dentro do limite da responsabilidade''. ''E, dentro desse limite, a Caixa sempre vai perseguir a meta de ter as taxas de juros mais baixas do mercado'', disse. Ele acrescentou que a Caixa espera por mais competição no mercado de crédito imobiliário e está preparada para isso. ''Uma competição mais acirrada também é bom para o mercado'', completou.
Quedas
Nas operações feitas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), os juros estão entre 8,2% ao ano e 11,5% ao ano, mais a TR. De acordo com a instituição, as alterações podem reduzir o valor das prestações em até 10,58%. O banco federal tem participação de 70% no crédito imobiliário do País.
Para os imóveis se enquadrem no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), as taxas variam de 8,2% ao ano a 8,9% ao ano para as unidades habitacionais avaliadas em até R$ 150 mil. Os juros variam de acordo com a opção de pagamento, sendo mais baixo para os clientes que possuam cesta de serviços e mais alto para os optarem fazer o pagamento via boleto. Antes da redução, as taxas variavam entre 8,4% ao ano e 9,4% ao ano.
Para a aquisição de residências entre R$ 150 mil e R$ 500 mil, as taxas variam de 9,5% a 10,5% ao ano, ante os 9,5% a 11,5% ao ano cobrados anteriormente para essa faixa de preço. Nas operações fora do SFH, aquelas com imóveis avaliados em mais de R$ 500 mil, a taxa de juros foi reduzida em meio ponto porcentual, variando agora entre 10,5% ao ano e 11,5% ao ano.

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