CuritibaO aumento do período que o trabalhador está gastando para encontrar um novo emprego está estimulando as centrais sindicais a defenderem a proposta de elevar as parcelas do seguro-desemprego. No Paraná, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) apurou que o ano de 2001 fechou com 500 mil desempregados, que levam em média 11 meses para achar um novo emprego.
Para o coordenador do Dieese, Cid Cordeiro, a proposta de elevar o parcelamento do seguro-desemprego atende o perfil do trabalhador que está procurando emprego. Conforme as regras atuais, o seguro-desemprego é pago em três a cinco parcelas, conforme o período que ficou empregado. A proposta apresentada defende que o benefício seja pago em seis a oito parcelas. Para os desempregados com idade superior a 45 anos, o benefício deveria ser pago em até 12 parcelas.
Conforme levantamento feito pela Caixa Econômica Federal (CEF), foram pagos no ano passado seguro-desemprego para 323 mil trabalhadores em todo o Estado, no valor total de R$ 320,5 milhões. Neste mês de janeiro de 2002, foram destinados R$ 31,5 milhões para o pagamento de quase 30 mil desempregados.
Na avaliação do coordenador do Dieese, a rediscussão do aumento das parcelas do seguro-desemprego é necessária diante da dificuldade de reinserção do trabalhador no mercado de trabalho. Segundo Cordeiro, depois que o País aderiu à economia liberal, sem o compromisso de gerar emprego e renda, como havia até a década de 80, o trabalhador não tem mecanismos de proteção. Seu salário é a sua única fonte de renda e com a dificuldade de reinserção no mercado de trabalho agrava o período de infortúnio do trabalhador à procura de um emprego.
Já o delegado regional do Trabalho no Paraná, Celso Costa, defende a adoção de políticas que reduzam o período de procura por um novo emprego. ‘‘Com o aumento desse período, talvez, seja o caso de os governos adotarem políticas de aproximação do trabalhador com as empresas onde tem vagas’’, disse o delegado.
Costa acha temerário ampliar o número de parcelas do seguro-desemprego agora e criar um problema futuro. Ele se referiu à dificuldade de encontrar os recursos necessários, dentro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para financiar o alongamento do benefício. O delegado salienta ainda que o governo precisa investigar melhor as causas que estão levando à demora na procura de um novo emprego. ‘‘Se for reflexo de efeito sazonal como a crise na Argentina, não deve haver mudanças na estrutura, sob pena de se criar um problema para o futuro’’, adverte.

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