De acordo com Toncovitch, cada loteria é destinada a um tipo específico de público e sua duração depende de uma pesquisa de mercado. Por isso, ele acredita que não há perfil do apostador. ''Atendemos pessoas de todas as idades e classes sociais. A diferença de clientes de uma lotérica para outra varia de acordo com o local onde ela funciona'', explicou. No estabelecimento de Izabel Cristina Moreira Santos, instalado no centro de Londrina, os frequentadores assíduos são homens com mais de 40 anos que fazem sua 'fezinha', pelo menos, uma vez por semana. A aposta máxima é de R$ 20,00 e mesmo aqueles com poucas condições financeiras não deixam de arriscar. ''Em 10% dos casos isso já é um vício'', disse a comerciante ao lembrar que duas pessoas ficaram milionárias em sua lotérica.
Segundo a psicóloga Ana Paula de Moura Alfredo, o jogo é uma prática estabelecida culturalmente pelo convívio social onde os vencedores se tornam um estímulo para os demais. ''Nesse processo cada número certo é um reforço intermitente do comportamento'', explicou. Para ela, outro reforçador poderoso é o dinheiro mesmo quando a possibilidade de obtê-lo é mínima. O hábito de jogar se transforma em patologia (doença) quando o apostador demonstra uma preocupação excessiva com ele e quando investe cada vez mais para suprir suas expectativas. ''É um tipo de transtorno que pode ser curado com terapia e medicamentos'', disse. O jogo pode ser considerado uma distração saudável enquanto não atrapalha a vida do apostador e seus relacionamentos interpessoais.

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