Caixa leiloa maior lote em Londrina
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segunda-feira, 18 de janeiro de 1999
Pedro Livoratti 
Apostando num dos maiores desejos do brasileiro, que é comprar a casa própria, a Caixa Econômica Federal estará colocando à venda, esta semana, 268 casas e apartamentos na região de Londrina. Trata-se do maior lote já oferecido pelo banco, que trabalha com o objetivo de reduzir o índice de inadimplência da carteira de crédito imobiliário. Atualmente a inadimplência na região - são 18 mil imóveis nestas condições - é de 35%. A meta é reduzir a taxa para 10%. Para quem está disposto a adquirir uma casa ou apartamento, a recomendação é pagar o máximo possível à vista e evitar longos financiamentos (veja matéria nesta página).
A economia do País mudou. Hoje o cliente paga a taxa de juros contratual e uma pequena inflação, isto significa que ele consegue amortizar a dívida, afirma o gerente de mercado da Caixa em Londrina, Ruy Baroni. Todos os imóveis que estão sendo leiloados pertenceram a mutuários que não conseguiram honrar seus compromissos e acabaram perdendo seus bens. De acordo com o gerente, os negócios que serão fechados nesta semana partem de um princípio saudável, que é um cenário de uma economia mais estável, sem inflação.
As condições de contrato estão previstas no edital de concorrência pública da Caixa. Os futuros mutuários pagarão, em caso de financiamento, juro anual de 10,5% mais a Taxa de Referência (TR). As propostas devem ser apresentadas até quarta-feira nas agências do banco da região. A abertura dos envelopes será no dia 25, na agência centro, na Rua Rio de Janeiro, 399, em Londrina. O resultado será divulgado dia 29. A lista com todos os imóveis está disponível nas agências. Os interessados podem requisitar as chaves para conhecer os imóveis.
De acordo com o gerente de mercado, as propostas serão classificadas considerando condições como maior parcela à vista e o valor apresentando. Os interessados podem inclusive utilizar o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no pagamento.
A expectativa do agente financeiro, informa Baroni, é de que as propostas contenham prazo médio de financiamento de 120 meses. O interessado pode financiar em até 180 meses. A maioria vende um carro, utiliza suas economias e o FGTS visando reduzir a dívida e o prazo de pagamento, afirma. Segundo o gerente, hoje o cliente está mais maduro com relação à compra de imóvel. Para Baroni, o fim da inflação permitiu que os brasileiros tivessem real noção da seguinte equação: Quanto menor prazo, menos juros e mais facilidade para quitar a dívida.
Sobre o saldo devedor, o grande vilão dos contratos de milhares de mutuários, o gerente de negócios da Caixa explica que a correção é feita de acordo com a TR mais a taxa contratual. Já as prestações serão corrigidas anualmente em função do saldo devedor. Ele garante que o mutuário que optar pelo financiamento vai poder acompanhar mensalmente a amortização de sua dívida. Ele explica que os contratos serão regulados pelo Sistema de Amortização Crescente (Sacre). A medida em que os anos avançam, paga-se menos juros e mais amortização. Isto significa que ao final do primeiro ano o financiamento já cai, explica.
Para o gerente, este sistema e a estabilidade dos juros bancários são elementos que asseguram aos futuros mutuários que eles não cairão na roda viva de financiamentos intermináveis e saldos devedores impagáveis. Ele informa que no ano passado foram feitos três leilões de imóveis, com oferta de 439 imóveis e que resultaram na comercialização de 300. Dos contratos financiados, 10% estão inadimplentes.
É um número aceitável, afirma Baroni. Na região de Londrina este índice já chegou a 52%. A média nacional, informa o gerente, é de 27%. Atualmente em todo o País existem 36.317 imóveis que foram retomados dos mutuários inadimplentes e podem ser novamente licitados, por leilão ou concorrência. Só o Paraná possui 5.143 imóveis. Ainda segundo a Caixa, 1.444 já estão sendo colocados à venda.
QUEM PODE SE HABILITAR


