Caixa faz plantão em todo o País para vender imóveis
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sexta-feira, 26 de maio de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A Caixa Econômica Federal vai estar de plantão, neste fim de semana, em todo o Brasil, para vender 20 mil imóveis residenciais de um estoque de 66 mil imóveis retomados de mutuários inadimplentes. Os imóveis retomados estão sendo vendidos, após um período de inadimplência superior a dois anos. É a maior venda de imóveis de sua história.
No Paraná, serão oferecidos 1.460 imóveis, sendo 552 deles localizados em Curitiba e região metropolitana. Na região de Maringá, estarão à venda 523 imóveis, em Foz do Iguaçu mais 281 e em Londrina, 104 imóveis (leia ao lado).
O imóvel de menor valor está sendo oferecido por R$ 1.650,00 e o de maior, por R$ 210 mil. As avaliações são feitas sem a especulação de lucro, o que torna as ofertas atrativas, segundo a Caixa. Os interessados poderão comprar o imóvel com a mesma linha de crédito que está impedindo a maioria dos mutuários de honrarem seus compromissos. Ou seja juros de 8% a 12% ao ano, mais correção pela TR.
Os imóveis colocados à venda foram dados em garantia de financiamentos em que os mutuários ficaram inadimplentes. A manutenção do estoque de imóveis custa à Caixa Econômica em torno de R$ 200 milhões, em pagamentos de taxas de condomínios, IPTUs, e despesas com serviços gerais para evitar a deterioração do imóvel e garantir a venda. A expectativa da Caixa é que sejam vendidos 30% dos imóveis em estoque. O restante são imóveis cujos documentos estão sendo regularizados para venda futura.
Para o advogado da Associação dos Mutuários do Sistema Financeiro da Habitação, Marcelo Kokoto de Andrade, a Caixa está realizando essa supervenda porque o nível de inadimplência está cada vez mais alto e os mutuários estão entrando na Justiça e ganhando liminares. Mas ele disse que o problema não é só da Caixa e sim do sistema financeiro. À medida que houver uma decisão final, haverá jurisprudência e aí o sistema financeiro não terá mais que recorrer em todos os processos em que é citado
Andrade atribui o índice elevado de inadimplência à correção do saldo devedor, que é feito pela TR, e não pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) como diz a lei. Além disso, as prestações são corrigidas por diversos índices existentes no mercado e nenhum deles leva em conta a variação do salário da categoria do mutuário, como diz a lei. Assim, as prestações ficam insuportáveis de serem honradas e o saldo devedor atinge um valor acima do que vale realmente o imóvel.


