BRASÍLIA - O caixa do governo registrou no mês passado um déficit de R$ 1,7 bilhão, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Este déficit é 31% superior aos R$ 1,3 bilhão registrados em dezembro passado, mês de maior concentração de despesas, mas representa queda de 80% se comparado com o déficit de janeiro de 96.
O secretário do Tesouro, Eduardo Guimarães, divulgou ontem uma série de tabelas de análise das contas do Tesouro, mas chamou atenção para um novo conceito de avaliação dos gastos do governo: o nominal, que considera o efeito da correção monetária e cambial sobre todas as despesas de responsabilidade do Tesouro Nacional. Por este conceito, o Tesouro também apresentou um déficit de R$ 2,62 bilhões, correspondentes a 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Eduardo Guimarães comentou que, a partir de agora, não se dará mais ênfase ao tradicional critério de análise com base no resultado de caixa. ‘‘É um ano novo e vamos ter uma nova forma de avaliar o resultado do Tesouro’’, comentou. As contas do Tesouro passam a ser analisadas criticamente a partir dos mesmos conceitos econômicos que os contadores consideram para fechar o balanço de uma empresa.
Assim, o que importa é o conceito qualificado como ‘‘necessidades de financiamento’’, o que na linguagem popular pode ser definido como o dinheiro que o governo necessita para financiar seus gastos a cada mês. Uma análise apenas sobre o resultado do caixa pode ficar mais próxima da realidade dos gastos. Mas, por outro lado, não permite uma ‘‘avaliação macroeconômica’’ do desempenho do Tesouro, na definição do secretário.
Portanto, a análise agora irá considerar o resultado primário (receita menos despesas não financeiras), que foi também um déficit de R$ 304 milhões, inferior em 52% ao de janeiro do ano passado. Se considerar as despesas com os juros da dívida interna (R$ 959 milhões), o chamado déficit operacional soma R$ R$ 1,26 bilhão. O déficit nominal é o resultado da soma do déficit operacional mais os R$ 1,36 bilhão correspondente a correção monetária e cambial que incidiu sobre o montate da dívida, ou seja, R$ 2,62 bilhões.
Considerando os novos critérios, a receita do Tesouro no mês passado foi de R$ 8,33 bilhões e despesas de R$ 8,63 bilhão. Os gastos com pessoal somaram R$ 4,1 bilhões, um pouco acima da média já que em janeiro há concentração de pagamento de férias com antecipação do décimo terceiro salário.

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