Agência Estado
De São Paulo
O pagamento das diferenças relativas pelos expurgos econômicos resultará num rombo de R$ 67 bilhões no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, segundo a Caixa Econômica Federal. Até agora, um total de 7.719 ações para reposição das perdas em planos econômicos nas contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) já transitou em todas as intâncias e recebeu sentença favorável aos optantes. Um número não conhecido de optantes já recebeu os recursos, mas dois casos de titulares que embolsaram as diferenças foram divulgados: um em Curitiba, para seis optantes, no valor de R$ 33 mil, e outro em São Paulo, para dez optantes, no total de R$ 56,4 mil. Ambas as ações tiveram início em 1993.
O pagamento ou o crédito das diferenças nos saldos das contas poderá incentivar e, até mesmo, estimular fraudes, diz o administrador de empresas Mário Alberto Avelino, diretor da Superútil, consultoria que criou um programa na Internet para a reconstituição das contas no fundo (www.superutil.com.br). ‘‘Sempre que há divulgação de valores e de pagamento de ações, há uma corrida para a impetração de novos processos e o trabalhador pode sair lesado.’’
Avelino lembra os casos que ocorreram no passado, principalmente nas cidades de São Paulo e de Rio de Janeiro, em que alguns escritórios prometiam ingressar com ação por apenas R$ 50,00, valor que não cobria as custas judiciais. Na realidade, tratava-se de um golpe. Após ter conseguido amealhar recursos consideráveis ou possuir procurações autorizando o saque das contas, os responsáveis fechavam os escritórios e sumiam.
Para Avelino, o valor de R$ 67 bilhões, para o pagamento das 382 mil ações que estão transitando na Justiça, está superestimado pela Caixa. Por esse total, cada ação teria direito a um crédito de R$ 175.392,67.

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