A Caixa Econômica Federal, que detém 70% do crédito imobiliário no País, anunciou ontem um novo aumento na taxa de juros para financiamentos imobiliários feitos com recursos da poupança. Essa já é a segunda alta promovida pelo banco neste ano, a primeira aconteceu em janeiro. O reajuste dessa vez foi de 0,3 ponto percentual ao ano.
Segundo a Caixa, o aumento é reflexo da alta da taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em 12,75% ao ano. A nova taxa será aplicada para os imóveis financiados desde o dia 13 de abril. O reajuste é válido para contratos feitos pelo Sistema Financeiro Habitacional (SFH) que rege a maioria dos financiamentos imobiliários do País e é voltado para imóveis com valor de avaliação até 750 mil para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. Para os demais estados, o limite é de R$ 650 mil.
Nos financiamentos feitos pelo SFH, a taxa balcão – para clientes sem relacionamento com o banco – passou de 9,15% ao ano para 9,45% ao ano mais a TR (Taxa Referencial). Para quem tem relacionamento com o banco (quem é correntista), os juros subiram de 9% ao ano para 9,30% ao ano mais TR.
Os clientes que recebem salário pelo banco vão pagar taxa de 9% ao ano, ante 8,7% definida em janeiro. Essa é a mesma taxa que os servidores públicos que são correntistas do banco passam a pagar. Para os servidores públicos que além de correntistas também recebem pela instituição, a Caixa cobra juros de 8,8% nos financiamentos desde segunda-feira, ante 8,5% de janeiro.
Os financiamentos contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não sofreram reajustes na taxa de juros.
Além da mudança nos juros, houve alteração no percentual do valor total do imóvel que pode ser financiado. O percentual passou de 90% para 80% nas operações do SFH. Para contratações pelo sistema de amortização Tabela Price, a cota máxima de financiamento passou de 70% para 50% nas operações do SFH.
O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, afirma que, com as novas regras, a contratação do financiamento imobiliário se torna mais cara. Além disso, o patamar de renda do trabalhador tem que ser maior para conseguir a aprovação do contrato. Como o percentual a ser financiado é menor, ele lembrou que as famílias precisarão ter uma reserva financeira maior para a entrada do imóvel.
A previsão dele é que o aumento dos juros vai trazer retração de vendas para o setor imobiliário. "O setor já está apresentando estabilização de preços. É possível que, daqui para frente, o preço dos imóveis comece a cair", disse.
O vice-presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Luciano Tomazini, disse que o setor já vem em desaceleração e que, com essa medida da Caixa, o impacto tende a ser maior. Segundo ele, cerca de 60% dos imóveis usados vendidos em Curitiba utilizam financiamento. No ano passado, foram comercializadas 11 mil unidades de imóveis usados na capital. Ele disse que, no ano passado, o setor fechou com estabilidade e a previsão para este ano também era empatar com 2014. No entanto, se a economia não reagir no segundo semestre, ele prevê até um fechamento negativo para o ano.
O conselheiro do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Erlon Rotta Ribeiro, disse que hoje já há dificuldade de vender e aprovar crédito. Ele acredita em queda de vendas neste ano com as medidas da Caixa, mas não estimou um valor. Segundo ele, o volume de lançamentos de imóveis deve cair de 15% a 20% neste ano em Curitiba Região Metropolitana. No ano passado, o número de unidades verticais lançadas foi 6 mil e caiu 7% em relação às 6.426 de 2013. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Caixa aumenta juros do financiamento imobiliário
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